SOUSEL
Distrito: Portalegre
Freguesias: 4
Área 279 km2
População Presente (Total) 5 669
Estradas Existentes: EN245, EN372, EN372-1.
Caminhos de Ferro
Linhas: RAMAL de PORTALEGRE
Estações  Sousel
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Povoação desde a mais remota antiguidade, a Vila de Cano situa-se numa aprazível alameda na margem esquerda da Ribeira do Alcórrego, povoação antiquíssima, velha de fundação a perder-se nas incertezas do tempo.
Segundo a descrição do padre António Carvalho da Costa, a Vila de Cano situa-se a " três léguas da Vila de Estremoz para o Norte, duas e meia ao Leste da Vila de Avis, e légua e meia da Vila de Sousel, do arcebispado de Évora, em uma alegre e fresca alameda, que povoam frondosos arvoredos, com abundância de cristalinas águas, tem assento a Vila de Cano, assim chamada dos muitos canos que por ela correm, ou de algum notável, que antigamente havia neste sítio. De sua fundação não achei notícia certa, por ser mais antiga que a Vila de Avis, a quem lhe é sujeita (...)."
Ainda em relação ao curioso topónimo da freguesia, vários autores concordam com a explicação de que " foi da civilização romana que Cano herdou o seu nome, do latim " Cannum", local de passagem de águas abundantes, foi a imagem natural e espontânea que borbulhou no espírito de quem queria baptizar a terra onde se fixava e que lhe oferecia essas características".
Cano é a mais antiga povoação do Concelho de Sousel, visto que no Sítio da Represa, foram encontrados vestígios de um antigo povoado, tais como alicerces, blocos de granito facetado e o resto de uma antiga barragem, vulgarmente denominada Ponte de Mouros, assim como restos de uma ermida, cuja invocação era de S. Guilherme, "(...) dum tosco S. Guilherme incrivelmente medieval (...)". E a pouca distância do aglomerado urbano, no Local da Ferroa, foram encontradas moedas romanas, objectos de cerâmica, e outros objectos ornamentais em cobre e ainda vestígios de um cemitério romano " (...) os cemitérios que só falam de morte, são afinal prova irrefutável de vida (...)".
No artigo "Vila de Cano, um pouco da sua história", o autor afirma que a Vila de Cano era já uma povoação importante no tempo de D. João I, e que foi nessa povoação que D. Nuno Álvares Pereira foi recrutar alguns dos seus soldados para a Batalha dos Atoleiros, onde em 1384 derrotou os castelhanos.
Mesmo antes de receber foral, Cano era já uma povoação importante, prova disso, foram os privilégios concedidos por Provisão de D. Duarte em 30 de Agosto de 1438, pois tinha este concelho o privilégio de não pagar sisa nem portagem de todos os géneros que trouxessem da Vila de Avis, a cuja Ordem e comarca pertenciam. Em 1476 recebeu no reinado de Afonso V, o privilégio de os seus habitantes poderem cortar madeiras para a sua albergaria no termo da Vila de Avis.
A Vila de Cano, foi cerca de três séculos sede de Concelho, com foral concedido por D. Manuel, em Santarém, no dia um de Novembro de 1512. Teve câmara e cadeia. A Câmara era constituída por dois juizes ordinários, três vereadores, procuradores do Concelho, escrivães, meirinhos, entre outros.
Sabemos que "foi no reinado de D. Manuel I, que se processou efectivamente, a Reforma dos Forais, não porém com o sentido de revigorar a autonomia dos municípios. Na verdade, depois da reforma empreendida pelo Venturoso, os forais alcançaram um sentido diferente, perdendo o carácter de estatutos- concelhios, para conservar o simples aspecto de registos actualizados das isenções e encargos locais(...)".
O Foral da Vila de Cano, sendo desta época, não é excepção, e apresenta um carácter meramente fiscal. No documento estão assim, descritas todas as rendas e direitos reais que se deveriam pagar na dita Vila.

Topo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre uma extensa planície coberta por extensos olivais, situada no fértil Vale de Freixo, junto à margem direita da Ribeira do Almadafe, assenta a freguesia de Casa Branca, a doze quilómetros da Vila de Sousel. Casa Branca pertence ao Concelho de Sousel, faz parte da Comarca de Estremoz, Diocese de Évora e está situada no extremo sul do Distrito de Portalegre, ao qual pertence.
Perdida no tempo e na história está a freguesia de Casa Branca, sendo a documentação existente pouco clara quanto à sua origem. Um documento de Manuel Severim de Faria refere que os terrenos onde assenta hoje a freguesia de Casa Branca pertenciam ao Conde de Sabugal - D. Duarte de Castelo Branco. Este possuía entre outras propriedades, uma herdade junto ao Concelho de Avis, ao norte do Lameirão. Decadente essa herdade, em parte resultado do pouco rendimento que auferia desses terrenos, em virtude da pobreza dos mesmos e que era agravada com a falta de água, resolveu D. Duarte de Castelo Branco dividir esse vasto morgado em glebas, que aforou a diversos, sendo o último a alienar a parte denominada "Morgado", pois era ali, como então se dizia, a "cabeça do Morgado". Deixou como último redento, a habitação com a sua quinta, conhecida pelo nome de Quinta do Zagalo, um dos ramos dos primitivos proprietários. Os foreiros tinham como obrigação "o pagamento de um certo foro anual e os quartos". Por outro lado conseguiu o Conde de Sabugal " uma povoação de alguns cem visinhos que lhe rende hoje o dôbro que a herdade lhe rendia (...)", justificando assim a divisão territorial por ele efectuada.
Os descendentes foram alienando todos os terrenos em volta, onde se construíram propriedades urbanas: "a primeira que ainda existia edificada, datava de 1581 construída, sem dúvida, do calcário muito branco que ali existia e que exposto à acção da luz, se petrificava e assim facilmente se faziam blocos, quando ainda brando,para após o seu endurecimento, se construírem os muros, ficando os prédios, mesmo sem cal muito brancos e quem sabe, talvez daí a origem do nome "Casa Branca", que se estendeu a todo o aglomerado de casas".
Ainda em relação à formação e origem do topónimo " Casa Branca", fala-se que este deriva de uma casa isolada, de pedra caliça, abundante nesta zona, construída para guardar utensílios de lavoura numa quinta aí existente, a Quinta do Zagalo. E os caminhantes da época, especialmente os padres vindos de Évora ao avistarem a dita casa, sabiam estar perto do seu destino, Avis.
A sede da sua freguesia era primitivamente S. Brás, de cuja freguesia se conserva o nome de uma importante feira, "A Feira de S. Brás" ou "Feira das Cenouras", que se realiza anualmente nos inícios do mês de Fevereiro.
Em termos administrativos a freguesia de Casa Branca, passou por diversas jurisdições até se fixar definitivamente no Concelho de Sousel. Assim, esteve anexada ao Concelho da Vila do Cano. Em 1839 estava esta freguesia integrada no Concelho de Avis e em 1852 já estava anexada no Concelho de Sousel. Extinto este, na sequência da Grande Reforma Municipal, de vinte e quatro de Outubro de 1855, passou a freguesia de Casa Branca a fazer parte do Concelho de Fronteira. Em dez de Julho de 1863 o Município de Sousel foi restaurado e a freguesia de Casa Branca foi-lhe anexada. Sendo o Concelho novamente suprimido com a Reforma Administrativa de vinte e seis de 1895, foi a freguesia de Casa Branca e as outras freguesias de Sousel integradas no Concelho de Estremoz até em 1898, ano em que o Concelho de Sousel foi novamente restaurado e a freguesia de Casa Branca lhe ficou definitivamente anexada.

Topo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Santo Amaro, freguesia do Concelho de Sousel, dista cerca de oito quilómetros da freguesia sede, pertence à comarca de Estremoz e ao distrito de Portalegre. Está situada a oriente da Vila de Sousel, na margem direita do Ribeiro do Lupe, numa típica paisagem alentejana.
Segundo a obra: " Grande Enciclopédica Portuguesa e Brasileira", pertencem a esta freguesia os lugares de: Carvalho, Madalena, Monte Cruz, Montes Novos dos Forais e Santo Amaro.
A freguesia de Santo Amaro , surgiu assim da evolução natural das residências dos empregados rurais que trabalhavam nos latifúndios que a circundavam.
Na obra: " Dicionário Enciclopédico das Freguesias", refere- se que a povoação de Santo Amaro foi vigariaria da Ordem de S. Bento de Avis. Em termos eclesiásticos, os párocos desta freguesia foram até 1834 ( data da extinção das ordens religiosas), freires da Ordem de S. Bento de Avis, apresentados pela Mesa da Consciência e da Ordem.
Santo Amaro foi a última freguesia a ser incorporada no Concelho de Sousel.
Antes e segundo o padre António Carvalho da Costa, pertencia esta freguesia ao Concelho de Veiros "(...) o seu termo (Veiros) he legoa e meya de Norte a Sul e o mesmo de Nascente a Poente. Tem 200 visinhos que se dividem por duas Paroquia huma é dedicada a Santo Amaro, cuja imagem foy achada no próprio lugar, em que está a Igreja, à qual concorrem muitos devotos Romeiros todo o ano(...).
O topónimo da freguesia " Santo Amaro", terá tido provavelmente aqui a sua origem.
Já no século XIX, mais propriamente no ano de 1859, a freguesia de Santo Amaro fazia parte do Concelho de Fronteira e foi anexada ao Concelho de Sousel pelo Decreto Lei nº 22.009 de vinte e um de Dezembro de 1932, " E para todos os efeitos legais, desanexada do concelho de Fronteira e anexada ao de Sousel a freguesia de Santo Amaro".
Santo Amaro, é uma povoação situada num pequeno vale depressionário, inicialmente ao longo de uma via que acompanha o Ribeiro do Lupe. Os crescimentos posteriores apresentam uma organização em malha concentrada, com inegáveis vantagens, nomeadamente por enquadrarem o interessante espaço público central, a Igreja e as escolas primárias.
A área de expansão habitacional, excêntrica, atraída pela proximidade das vias de comunicação, situa-se em continuidade com esta zona, mas de desenho e tipologias construtivas significativamente diferentes, imprimindo-lhe assim um carácter excessivamente autónomo.
Actualmente, o largo da praça, é um importante espaço de lazer, convívio e descanso para toda a população da freguesia.
Segundo o Recenseamento Geral da população, Santo Amaro contava em 1991 com setecentos habitantes residentes. Em meados do século tinha pouco mais do que trezentos habitantes, um crescimento razoável que não impede de ser assim mesmo, a freguesia menos povoada de todo o Concelho de Sousel.
A principal actividade dos seus habitantes é a agricultura, sendo aqui de destacar o cultivo de cereais e a olivicultura.
O artesanato vai mantendo viva a etnografia local, através de vários artífices, que fazem trabalhos em madeira e cortiça e das diversas bordadeiras ainda existentes .
O turismo aparece-nos como uma actividade que poderá vir a ser desenvolvida no futuro, visto esta freguesia oferecer, bem como todo o Concelho, paisagens magníficas e momentos de sossego absoluto. É por isso mesmo, um lugar ideal para descansar e fugir um pouco ao bulício do dia - a - dia dos grandes centros urbanos.

Topo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sousel, Vila situada a norte do Alentejo Central, é sede de concelho de segunda ordem, faz parte do Distrito de Portalegre, do qual dista cerca de sessenta quilómetros, estando integrado na Comarca de Estremoz e Diocese de Évora.
Na primeira metade do século XVIII era Concelho, que além da freguesia sede (Sousel), tinha a freguesia de S. João Baptista com as ermidas anexas de S. Pedro, S. Lourenço, S. Miguel e S. Bartolomeu da Serra. O município era governado no cível por um juiz de fora, três vereadores, um escrivão de câmara, um procurador do Concelho, um juiz dos órfãos com o seu escrivão e dois tabeliães do judicial e notas.
Na Vila de Sousel , sede de Concelho, na actual Praça da República está situado o edifício dos Paços do Concelho, os quais depois de passarem por diferentes transformações, voltaram à traça primitiva, com a porta principal ao centro da fachada da frente e o pelourinho ao lado do edifício.
No edifício da Câmara Municipal de Sousel, merece especial atenção a imagem em alto relevo do mártir S. Sebastião, ainda hoje considerado por muitos o padroeiro da Vila. Esta imagem foi reconstruída recentemente e encontra-se na abobadilha da Sala das Sessões, do edifício da Câmara Municipal.
Anteriormente, o município de Sousel, usava no seu brasão a imagem de S. Sebastião. Contudo, resolveu-se que a Heráldica estudasse uma constituição mais de acordo com a vida histórica e económica do concelho. Assim, segundo o parecer da Associação dos Arqueólogos: " As armas e a bandeira de Sousel foram fixadas por Portaria nº 7492 de dois de Janeiro de 1933, e que são: as armas de azul, com duas setas de ouro cruzadas em aspa,
atadas de vermelho e acompanhadas de quatro abelhas de ouro; Contra- chefe ornado de prata e azul. Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco com letras pretas. A bandeira amarela com cordões, borlas, haste lança de ouro".
Sousel é terra antiga, de ruas estreitas e tortuosas, e ao contrário da grande maioria das povoações alentejanas, não é limitada por grandes propriedades. A explicação para esse facto é simples: em volta da vila houve terras coutadas da Casa de Bragança, que no século XIX foram divididas e que assim se mantêm, os chamados "coutos".
Um curioso regime associativo dos proprietários - A Comissão de Pastos - permitia a utilização das pastagens em sítios determinados pelo sistema de leilão, o que beneficiava os proprietários e permitia a divisão equitativa dos lucros e dos benefícios, tendo as suas atribuições sido englobadas no Grémio da Lavoura.
Em relação às feiras, a mais importante e a mais antiga que entrou na história do município é a Feira Anual de S. Miguel, na Vila de Sousel, que data de há mais de duzentos anos. No " Livro de Receitas e Despesas da Vila de Sousel", onde se registavam todas as arrematações de vendas do Concelho e Vila, encontramos a primeira referência ao acto de arrematação do terrado da feira, feita perante o juiz de fora e oficiais da Câmara, a quinze de Setembro de 1765, em que o juiz de fora " manda pôr em pregão na praça pública desta vila o terrado da feira, pela quantia de vinte mil réis!".

Topo

© 2003, Tudoben.com . Todos os direitos reservados.
webmaster@tudoben.com