| MARVÃO |
| Distrito: |
Portalegre |
| Freguesias: |
4 |
| Área |
116
km2 |
| População
Presente (Total) |
4743
|
| Estradas |
Existentes:
EN246-1, EN359, EN359-1, IC-13 |
Caminhos
de Ferro
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Linhas:
Ramal de Cáceres |
| Estações |
Beirã |
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A vinte e dois quilómetros
da sede do distrito, o concelho de Marvão está
distribuído por uma área de 115,40 Km2. É
composto por quatro freguesias: Beirã, S. Salvador
da Aramenha, Santa Maria de Marvão e Santo António
das Areias. A oeste da margem esquerda do rio Sever, Marvão
é delimitado pelos concelhos de Castelo de Vide e
Portalegre e, a leste, pelo termo municipal de Valência
de Alcântara (Espanha).É um concelho muito
atractivo a nível patrimonial. Os monumentos mais
importantes estão, obviamente, na sede do concelho.
Deles damos destaque pormenorizado adiante. As outras freguesias
merecem também uma visita atenta daqueles que se
deslocam a estas terras da raia. A nível económico,
a agricultura é ainda a actividade principal, mas
a indústria dos últimos anos tem-se vindo
a diversificar. A proximidade a Espanha marca, definitivamente,
a paisagem económica do concelho.A utilização
dos rochedos de Marvão para refúgio de povoações
assoladas por povos invasores, como atalaia ou como ponto
estratégico em termos estritamente militares, datará,
pelo menos, do período romano. Podemos referir os
seguintes factos históricos cabalmente documentados:
- Período Romano e Alta Idade Média
Se no séc. X, o que é hoje Marvão,
era identificado pelo historiador cordovês Isa Ibn
Áhmad ar-Rázi, por Fortaleza de Amaia e por
Fortaleza de Amaia-o-Monte, entre outras designações,
tal facto levanta a hipótese de que existiria fortificação
no topo do monte que teria servido a cidade de Ammaia, fundada
no séc. I, durante a sua existência.
- Período Árabe - séc. IX
No séc. X, Marvão era identificada, pelo historiador
cordovês acima referido e para além das designações
já aludidas, por Monte de Amaia e por Amaia de Ibn
Maruán. Ibn Maruán, de seu nome completo 'Abd
ar-Rah.ma:n Ibn Marwa:n Ibn Yu:nus al-Jillí:qi (Ab-derramão
filho de Marvão filho de Iúnece - i. e. Johannes-João
- o Galego), era um muladi de nobre estirpe emeritense que
se celebrizou no último quartel do séc. IX
como rebelde e caudilho de guerra contra o Emirato
de Córdova. A Fortaleza de Ammaia servia então
como refúgio estratégico ao (re)fundador de
Badajoz quando, nesta capital, se sentia ameaçado.
Assim aconteceu no ano de 884 perante a aproximação
das tropas do Emir Muhâmmad, ameaçando destruir
a cidade e fugir para o seu Monte: Marvão.
- Período da Reconquista - 1160/1166
Na sua campanha de 1160/1166, o primeiro rei de Portugal,
D. Afonso Henriques, terá conquistado Marvão,
embora não se saiba se definitivamente, tendo em
conta a contra-ofensiva de Almansor, entre 1190/1191, até
à linha do Tejo.
- Foral de 1226
Em 1226, D. Sancho II atribui a Marvão o seu primeiro
foral, um dos primeiros forais régios no Alentejo.
- D. Dinis apodera-se de Marvão
A importância estratégica de Marvão
- e de outros Castelos da raia - levam D. Dinis a disputa-lo
a seu irmão D. Afonso, no ano de 1299, apoderando-se
da fortificação.
- Crise de 1383-1385
Tomada do Castelo por forças partidá-rias
do Mestre de Avis sendo alcaide Fr. Pedro Álvaro
Pereira, Prior do Crato, Fronteiro-mor do Alentejo e alcaide
de Portalegre, após renhido combate que durou meio
dia.
- Guerra da Restauração, 1641-1668
A partir da restauração da independência,
a velha fortificação medieval é reabilitada
face às novas tecnologias de guerra, ficando abaluartada
nas zonas sensíveis e transformando-se o Castelo
na sua cidadela. No decorrer da guerra desempenha um importante
papel na defesa do Alto Alentejo. Registaram-se dois ataques
importantes à fortaleza: em 1641 e em 1648, este
último sob o comando do Marquês de Lagañes.
- Guerra da Sucessão de Espanha, 1704-1712
Após a queda de Castelo de Vide, a 24 de Junho de
1704, entregou-se a Praça de Marvão, sem batalha.
Mais tarde, tendo a população, o governador
francês dos paisanos mandou aprisionar a população,
enforcar, para exemplo, alguns populares, e enviar outros
sob prisão para Castela, incluindo os frades do Convento
de Nossa Senhora da Estrela. A Praça foi posteriormente
tomada pelo exército português comandado pelo
Conde de São João. Frente ao Baluarte das
Portas da Vila, distinguiu-se o ataque desferido pelo terço
de infantaria portuguesa comandado pelo Conde de Coculim.
- Guerra dos Sete Anos, 1756-1762
Em Novembro de 1762, Marvão sofreu um ataque surpresa
por parte do exército espanhol, durante as últimas
operações.
- Testemunho da importância estratégica da
Praça, 1796
Tenente Coronel Engenheiro, Tomás de Vila Nova e
Sequeira: A posição que tem na linha da Fronteira
a faz importante para a sua defesa, porque de Valência
de Alcântara ou de Albuquerque para Portalegre, para
o Crato, para Castelo de Vide e também para Ribatejo,
não há outra estrada por onde se possa conduzir
artilharia que a do Porto da Espada, que passa à
vista da Praça no sítio a que chamam o Prado,
e por ela também é que se pode levar artilharia
contra a mesma Praça.
- Guerra das Laranjas, 1801
A Praça de Marvão sofre vários ataques,
resistindo sempre.
- Guerras Peninsulares, 1807-1811
No dia 25 de Junho de 1808, a Praça, governada pelos
franceses, sofre um assalto vitorioso por parte de um corpo
de voluntários valencianos (Valência de Alcântara)
chefiados por D. Mateus Monge. Os espanhóis foram
instigados pelo destemido escrivão do geral da vila
(ou Juís de Fora?) de Marvão, Joaquim António
da Cruz, que se havia refugado em Espanha após uma
sua tentativa, malograda, de sublevação da
população. O assalto foi comandado pelo Tenente-Coronel
espanhol D. Vicente Perez e pelo Tenente-Coronel graduado
de milícias, D. Pedro de Magalhães, filho
do arquitecto português Teodoro Magalhães.
- Guerras Liberais, 1832-1834
Em Junho/Julho de 1833, a Praça de Marvão,
comandada pelo miguelista Coronel Francisco da Silva Lobo,
resiste às intimações de rendição
feitas pela guerrilha constitucional, por sua vez comandada
pelo antigo coronel do exército espanhol, D. Manuel
Martini. Neste período, servia de refúgio,
base de apoio logístico e ponto de partida para incursões
em Espanha, aos carlistas que acompanhavam o infante espanhol,
D. Carlos Maria Isidro (1788-1855). Decorria em Espanha
a Primeira Guerra Carlista ou Guerra dos Sete Anos (1833-1839),
sendo os carlistas comandados pelo brigadeiro D. Fernando
Peñarola. Em 12 de Dezembro de 1833, é conquistada
a Praça de Marvão pelas tropas liberais, reunidas
sob a designação de Legião Patriótica
do Alentejo, com ajuda de tropas espanholas e com a cumplicidade
de elementos do interior da fortaleza. De Dezembro de 1833
a 26 de Março de 1834, Marvão é cercada
pelas tropas miguelistas, sob o comando do Brigadeiro António
José Doutel.
As tropas liberais, comandadas pelo General António
Pinto Álvares Pereira, eram abastecidas a partir
do território espanhol. Foram socorridas, a 22 de
Março de 1834, por forças vindas de Espanha,
comandadas pelo Tenente-General José Joaquim de Abreu.
O cerco levantado a 26 de Março é referido
em documento militar de 1861, de forma muito elogiosa e
nos seguintes termos: A esta Praça está ligado
um facto histórico que muito a honra; foi o memorável
sítio que ela sustentou por uns poucos de meses em
1834, tornando-se, por este feito d'armas, o baluarte da
liberdade na Província do Alentejo.Guerra civil em
consequência das rebeliões da Maria da Fonte
(1846) e da Patuleia (1847)
Entre 23 e 25 de Julho de 1847, a praça foi ocupada
pelo General espanhol, Concha. |
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| Escudo
de azul com um castelo de ouro aberto e iluminado de vermelho.
Em chefe o escudete das quinas acompanhado de duas chaves
afrontadas de prata. Coroa mural de prata de quatro torres.
Listel branco com os dizeres : " MUI NOBRE E SEMPRE
LEAL VILA DE MARVÃO ", a negro. |
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