Fronteira
Distrito: Portalegre
Freguesias: 3
Área 245,20 km2
População Presente (Total) 4057
Estradas

Existentes: EN243, EN245, EN369.

Caminhos de Ferro
Linhas: DO LESTE
Estações  FRONTEIRA
 

Fronteira é uma povoação muito antiga, que já existia nos princípios do séc.XIII
Situava-se então no alto de um cabeço, a que chamam Vila Velha, onde, segundo a tradição, foi a primeira fundação da localidade. Terá havido aí uma atalaia do tempo dos romanos. Diz-se ter sido seu fundador D. Fernando Rodrigues Monteiro, 4.º mestre da Ordem de Avis, em 1226. Alguns autores, porém, atribuem a sua fundação a D. Dinis, que com certeza construiu o castelo da vila. Neste reinado deve a vila ter mudado para o local onde hoje se encontra.
Seja como for, o que parece estar fora de dúvida é a antiguidade do inicial povoamento do território que constitui hoje a freguesia de Nossa Senhora da Atalaia de Fronteira.Conforme diversos testemunhos arqueológicos aqui encontrados, a ocupação humana destas terras ascende a épocas pré-históricas. Muito importante foi a presença romana, bem assinalada por vestígios vários. Seguiram-se godos e árabes, povos estes que aqui se encontravam pelo alvorecer da monarquia portuguesa. Depois da fundação da Nacionalidade, muitos anos se passaram ainda para que esta zona onde Fronteira se insere passasse para as mãos dos portugueses. Papel importante em todo o processo de expulsão dos mouros tiveram os cavaleiros da Ordem de Avis. A eles se liga uma parte da história de Fronteira e o seu repovoamento nacional.
Reinava D. Sancho II quando surge a mais antiga notícia escrita referente a Fronteira. Tratava-se de um documento do cabido da Sé de Évora, datado de 1236, no qual se afirma que Seda e Fronteira pertenciam então ao bispado daquela cidade. Este documento parece dar crédito à versão da fundação de 1226, pois, se a povoação não existisse ainda, não iriam os prelados eborenses fazer-lhe referência. Pelos finais do mesmo século, D. Dinis mandava dar início às obras de fortificação da povoação, começando-se de imediato a construção do castelo de Fronteira.
Diz Fernando Correia Pina que a defesa da vila era assegurada pelas muralhas do castelo que possuía 9 torres cuja altura oscilaria entre 8 e 10 metros aproximadamente. O acesso á vila fazia-se por 3 entradas providas de grossas portas reforçadas por ferro. Hoje há vestígios de apenas uma dessas entradas, a Porta dos Santos. Das desaparecidas, sabe-se que uma delas era a Porta do Sol, não havendo notícias escritas quanto à designação da terceira. Ao adiantado estado de ruína das muralhas de que ainda no século passado havia alguns trechos em pé se refere já, em 1588, o visitador da Ordem de Avis que encontrou o castelo a cair por muitas partes e constatou que dos muros e das barbacãs dele se levava muita pedra para construir casas.
Ainda o castelo estava bem de pé quando, em 1384, se travou nos arredores da vila a Batalha dos Atoleiros, entre os partidários do mestre de Avis e os do rei de Castela. D. Nuno Álvares Pereira comandava um pequeno exército de 1.500 homens que, aparentemente, nada poderiam fazer ante a superioridade dos 5.000 soldados castelhanos. Perante isto, o Condestável teve que improvisar um inédito estratagema. No dizer de Fernão Lopes, "pôs batalha por terra", destroçando o opositor e alcançando uma retumbante vitória, que se encontra escrita a linhas de ouro nos anais da História de Portugal.
D. João I não esqueceu a maneira como todos os Fronteirenses se portaram durante os dias que antecederam a batalha e de tudo quanto ajudaram no sucesso da mesma. E em 14 de Abril de 1424 passou uma Carta Régia aos habitantes da vila concedendo-lhes "pelos muitos serviços que esta vila nos fez, nos faz e esperamos que faça", a isenção do pagamento de portagens, o direito de terem procuradores com assento em cortes no 12.º banco e o direito de porte de armas por todo o reino. Em 1 de Junho de 1512, foi a vez de D. Manuel ? reconhecer o carácter e o crescimento da vila, concedendo-lhe foral novo.
Em 1 de Janeiro de 1670, por carta de D. Pedro II, a vila foi doada a D. João de Mascarenhas, 2º conde da Torre, que passava assim a ser o 1º marquês de Fronteira. A doação dizia respeito apenas ao domínio útil da vila, já que o domínio directo da mesma pertencia à Ordem de Avis a quem o marquês ficava obrigado a pagar uma determinada quantia anual. Entre os privilégios do titular contavam-se o direito de arrecadar grande parte das rendas e de poder nomear alguns dos funcionários municipais. A cerimónia de investidura teve lugar a 6 de Junho de 1670, na pessoa do conde das Galveias, nomeado procurador para o efeito pelo marquês.
Com o advento do século XIX, a vila conheceu um dos seus mais conturbados períodos. Primeiro foram os atropelos e pilhagens das tropas francesas que chegaram ao cúmulo de arrombar a porta da igreja do Senhor dos Mártires para pegar fogo ao altar-mor. Mais tarde, seria a vez das lutas entre liberais e miguelistas se fazerem aqui sentir.
Os finais desse mesmo século trariam a Fronteira a criação da Feira Nova. Autorizada por portaria de 31 de Maio de 1883, realizou-se pela primeira vez em 26 e 27 de Setembro desse mesmo ano, depois de largamente anunciada em jornais nacionais e regionais. Efectuaram-se nesse ano, de acordo com notícias da época, grandes transacções de gado suíno, tendo também os ourives efectuado grandes negócios. A esta feira concorriam inclusivamente muitos negociantes espanhóis. Posteriormente a data de realização desta feira foi transferida para os dias 24 e 25 de Outubro. Era então de grande importância na vida municipal, o que também acontecia com a feira de S. Pedro, criada por alvará de 22 de Agosto de 1579. Tanto uma como outra chegaram aos nossos dias.
Em termos eclesiásticos, a antiga freguesia era um priorado da apresentação da Mesa da Consciência, tendo o prior um rendimento anual de 180 alqueires de trigo, 120 de cevada e 20 mil réis em dinheiro. A igreja matriz era uma colegiada com quatro beneficiados. O primeiro orago da freguesia foi Santa Maria. Diz Pinho Leal que o de &#x201 Nossa Senhora da Atalaia consta que lhe foi posto pela rainha Santa Isabel talvez em razão da atalaia que existiu na Vila Velha". A actual igreja matriz foi mandada edificar pelo rei D. Sebastião.
Por alvará de 10 de Janeiro de 1571, assinado por D. Sebastião em Almeirim, ordenava-se ao então comendador da vila de Fronteira que fossem anualmente subtraídos 220 mil réis das rendas da comenda, que se juntariam numa arca depositada no convento de S. Bento de Aviz até perfazer a soma de 1.500 cruzados. Com esta quantia seriam postas em pregão as obras de ampliação da Igreja de Santa Maria, existente no pátio do castelo, a qual se tornara demasiado pequena para os serviços religiosos. O rei propunha ainda, como alternativa, a edificação de um novo templo, de raiz, mais digno e mais espaçoso. A segunda hipótese foi a adoptada, pelo que, em 1576, tiveram início as obras da nova igreja sob a direcção do mestre António Góis, sendo comendador D. Francisco Portugal. Os trabalhos foram dados por terminados em 1549 já no tempo do comendador D. Lucas de Portugal, filho do anterior. À data da sua conclusão, o templo apresentava um aspecto muito diferente do actual.
Depois de diversas obras de reparação e acrescentamentos, o templo paroquial apresenta-se hoje como um edifício de arquitectura severa, reforçado por gigantes de pedra. O interior é de 3 naves de arcadas redondas e pilastras de cantaria aparelhada. Conserva alguns altares de talha barroca. A capela-mor ostenta um retábulo de mármores de Estremoz e guarda algumas pinturas do ciclo maneirista, dos fins do século XVI. Na imaginária destaque para as imagens em madeira policroma dos séculos XVII e XVIII de Nossa Senhora da Atalaia, Santo António, Santa Ana, S. Miguel e Nossa Senhora da Conceição.
A Igreja da Misericórdia, fundada no século XVI, foi posteriormente muito reformada. O interior é decorado com estuques setecentistas de temas sacros. A capela-mor contém talhas douradas de estilo barroco e baixos relevos da época de D. João V.
A Igreja do Senhor dos Mártires foi fundada nos alvores do século XVIII. A fachada principal, ladeada por duas torres quadradas, apresenta um portal simples de cantaria com frontão interrompido, cujas volutas enquadram uma cartela onde se inscrevem as Chagas de Cristo. No eixo central abre-se mais acima um óculo emuldurado pela cornija que corre a toda a largura do edificio. A terminar, uma cimalha recortada em volutas.
A Capela de Nossa Senhora da Vila Velha deve ter sido fundada em 1226, mas dessa época restam apenas algumas cabeceiras de sepulturas e a tampa de um sarcófago. Em termos de arquitectura civil também a vila é digna dos maiores encómios. Como se lê num opúsculo municipal, em Fronteira, "o eixo que vai pela Rua dos Trigueiros ao Largo do Município e deste à Rua de Aviz está ainda eivado da casas nobres dos séculos XVII e XVIII que atestam a importância da vila. Logo no Largo do Município confrontam-se dois símbolos de um poder nobilitado - a Torre da Vila e os Paços do Concelho, com as armas de D. João V. Depois, sucedem-se os palácios com o seu precioso trabalho em mármore ou massa, como que irradiando da cabeça do poder, a ele se associando e desse facto retirando força e legitimidade". No "Guia de Portugal", Raul Proença chamava a atenção para a Rua 5 de Outubro: "várias casas com silhares de azulejos azuis e brancos de moldura rocaille (cenas campestres, caça do avestruz, do veado, do javali, instrumentos musicais). Notar, na mesma rua, uma janela dupla de canto, manuelina, e uma linda sacada com guarda de ferro forjado do século XV??, lavrada de ramos, tulipas e esferas armilares".
A Torre do Relógio é uma construção quadrilátera, em granito, com 24 metros de altura e 4 metros de largura em cada um dos lados. Foi mandada construir por provisão de 2 de Março de 1613 e reconstruída em 1878. Tem quatro olhais com aros, cúpula azulejada e rematada por um catavento de ferro forjado. Dos antigos símbolos dos seus foros, exibe Fronteira um esbelto pelourinho, embora o actual monumento não seja o original. O primitivo foi demolido por duas vezes (cerca de 1830 e 1865). As suas pedras andaram dispersas até 1940, ano em que a Câmara Municipal decidiu reerguê-lo, perpetuando assim os velhos e nobres pergaminhos da vila de Fronteira.

Escudo de vermelho com um castelo de prata, carregado na sua torre do meio por uma cruz flordelisada de verde. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel vermelho com legenda de prata : " FRONTEIRA ".

Publicado em: www.cm-fronteira.pt

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