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Fronteira é uma povoação muito antiga,
que já existia nos princípios do séc.XIII
Situava-se então no alto de um cabeço, a
que chamam Vila Velha, onde, segundo a tradição,
foi a primeira fundação da localidade. Terá
havido aí uma atalaia do tempo dos romanos. Diz-se
ter sido seu fundador D. Fernando Rodrigues Monteiro,
4.º mestre da Ordem de Avis, em 1226. Alguns autores,
porém, atribuem a sua fundação a
D. Dinis, que com certeza construiu o castelo da vila.
Neste reinado deve a vila ter mudado para o local onde
hoje se encontra.
Seja como for, o que parece estar fora de dúvida
é a antiguidade do inicial povoamento do território
que constitui hoje a freguesia de Nossa Senhora da Atalaia
de Fronteira.Conforme diversos testemunhos arqueológicos
aqui encontrados, a ocupação humana destas
terras ascende a épocas pré-históricas.
Muito importante foi a presença romana, bem assinalada
por vestígios vários. Seguiram-se godos
e árabes, povos estes que aqui se encontravam pelo
alvorecer da monarquia portuguesa. Depois da fundação
da Nacionalidade, muitos anos se passaram ainda para que
esta zona onde Fronteira se insere passasse para as mãos
dos portugueses. Papel importante em todo o processo de
expulsão dos mouros tiveram os cavaleiros da Ordem
de Avis. A eles se liga uma parte da história de
Fronteira e o seu repovoamento nacional.
Reinava D. Sancho II quando surge a mais antiga notícia
escrita referente a Fronteira. Tratava-se de um documento
do cabido da Sé de Évora, datado de 1236,
no qual se afirma que Seda e Fronteira pertenciam então
ao bispado daquela cidade. Este documento parece dar crédito
à versão da fundação de 1226,
pois, se a povoação não existisse
ainda, não iriam os prelados eborenses fazer-lhe
referência. Pelos finais do mesmo século,
D. Dinis mandava dar início às obras de
fortificação da povoação,
começando-se de imediato a construção
do castelo de Fronteira.
Diz Fernando Correia Pina que a defesa da vila era assegurada
pelas muralhas do castelo que possuía 9 torres
cuja altura oscilaria entre 8 e 10 metros aproximadamente.
O acesso á vila fazia-se por 3 entradas providas
de grossas portas reforçadas por ferro. Hoje há
vestígios de apenas uma dessas entradas, a Porta
dos Santos. Das desaparecidas, sabe-se que uma delas era
a Porta do Sol, não havendo notícias escritas
quanto à designação da terceira.
Ao adiantado estado de ruína das muralhas de que
ainda no século passado havia alguns trechos em
pé se refere já, em 1588, o visitador da
Ordem de Avis que encontrou o castelo a cair por muitas
partes e constatou que dos muros e das barbacãs
dele se levava muita pedra para construir casas.
Ainda o castelo estava bem de pé quando, em 1384,
se travou nos arredores da vila a Batalha dos Atoleiros,
entre os partidários do mestre de Avis e os do
rei de Castela. D. Nuno Álvares Pereira comandava
um pequeno exército de 1.500 homens que, aparentemente,
nada poderiam fazer ante a superioridade dos 5.000 soldados
castelhanos. Perante isto, o Condestável teve que
improvisar um inédito estratagema. No dizer de
Fernão Lopes, "pôs batalha por terra",
destroçando o opositor e alcançando uma
retumbante vitória, que se encontra escrita a linhas
de ouro nos anais da História de Portugal.
D. João I não esqueceu a maneira como todos
os Fronteirenses se portaram durante os dias que antecederam
a batalha e de tudo quanto ajudaram no sucesso da mesma.
E em 14 de Abril de 1424 passou uma Carta Régia
aos habitantes da vila concedendo-lhes "pelos muitos
serviços que esta vila nos fez, nos faz e esperamos
que faça", a isenção do pagamento
de portagens, o direito de terem procuradores com assento
em cortes no 12.º banco e o direito de porte de armas
por todo o reino. Em 1 de Junho de 1512, foi a vez de
D. Manuel ? reconhecer o carácter e o crescimento
da vila, concedendo-lhe foral novo.
Em 1 de Janeiro de 1670, por carta de D. Pedro II, a vila
foi doada a D. João de Mascarenhas, 2º conde
da Torre, que passava assim a ser o 1º marquês
de Fronteira. A doação dizia respeito apenas
ao domínio útil da vila, já que o
domínio directo da mesma pertencia à Ordem
de Avis a quem o marquês ficava obrigado a pagar
uma determinada quantia anual. Entre os privilégios
do titular contavam-se o direito de arrecadar grande parte
das rendas e de poder nomear alguns dos funcionários
municipais. A cerimónia de investidura teve lugar
a 6 de Junho de 1670, na pessoa do conde das Galveias,
nomeado procurador para o efeito pelo marquês.
Com o advento do século XIX, a vila conheceu um
dos seus mais conturbados períodos. Primeiro foram
os atropelos e pilhagens das tropas francesas que chegaram
ao cúmulo de arrombar a porta da igreja do Senhor
dos Mártires para pegar fogo ao altar-mor. Mais
tarde, seria a vez das lutas entre liberais e miguelistas
se fazerem aqui sentir.
Os finais desse mesmo século trariam a Fronteira
a criação da Feira Nova. Autorizada por
portaria de 31 de Maio de 1883, realizou-se pela primeira
vez em 26 e 27 de Setembro desse mesmo ano, depois de
largamente anunciada em jornais nacionais e regionais.
Efectuaram-se nesse ano, de acordo com notícias
da época, grandes transacções de
gado suíno, tendo também os ourives efectuado
grandes negócios. A esta feira concorriam inclusivamente
muitos negociantes espanhóis. Posteriormente a
data de realização desta feira foi transferida
para os dias 24 e 25 de Outubro. Era então de grande
importância na vida municipal, o que também
acontecia com a feira de S. Pedro, criada por alvará
de 22 de Agosto de 1579. Tanto uma como outra chegaram
aos nossos dias.
Em termos eclesiásticos, a antiga freguesia era
um priorado da apresentação da Mesa da Consciência,
tendo o prior um rendimento anual de 180 alqueires de
trigo, 120 de cevada e 20 mil réis em dinheiro.
A igreja matriz era uma colegiada com quatro beneficiados.
O primeiro orago da freguesia foi Santa Maria. Diz Pinho
Leal que o de ȁ Nossa Senhora da Atalaia consta
que lhe foi posto pela rainha Santa Isabel talvez em razão
da atalaia que existiu na Vila Velha". A actual igreja
matriz foi mandada edificar pelo rei D. Sebastião.
Por alvará de 10 de Janeiro de 1571, assinado por
D. Sebastião em Almeirim, ordenava-se ao então
comendador da vila de Fronteira que fossem anualmente
subtraídos 220 mil réis das rendas da comenda,
que se juntariam numa arca depositada no convento de S.
Bento de Aviz até perfazer a soma de 1.500 cruzados.
Com esta quantia seriam postas em pregão as obras
de ampliação da Igreja de Santa Maria, existente
no pátio do castelo, a qual se tornara demasiado
pequena para os serviços religiosos. O rei propunha
ainda, como alternativa, a edificação de
um novo templo, de raiz, mais digno e mais espaçoso.
A segunda hipótese foi a adoptada, pelo que, em
1576, tiveram início as obras da nova igreja sob
a direcção do mestre António Góis,
sendo comendador D. Francisco Portugal. Os trabalhos foram
dados por terminados em 1549 já no tempo do comendador
D. Lucas de Portugal, filho do anterior. À data
da sua conclusão, o templo apresentava um aspecto
muito diferente do actual.
Depois de diversas obras de reparação e
acrescentamentos, o templo paroquial apresenta-se hoje
como um edifício de arquitectura severa, reforçado
por gigantes de pedra. O interior é de 3 naves
de arcadas redondas e pilastras de cantaria aparelhada.
Conserva alguns altares de talha barroca. A capela-mor
ostenta um retábulo de mármores de Estremoz
e guarda algumas pinturas do ciclo maneirista, dos fins
do século XVI. Na imaginária destaque para
as imagens em madeira policroma dos séculos XVII
e XVIII de Nossa Senhora da Atalaia, Santo António,
Santa Ana, S. Miguel e Nossa Senhora da Conceição.
A Igreja da Misericórdia, fundada no século
XVI, foi posteriormente muito reformada. O interior é
decorado com estuques setecentistas de temas sacros. A
capela-mor contém talhas douradas de estilo barroco
e baixos relevos da época de D. João V.
A Igreja do Senhor dos Mártires foi fundada nos
alvores do século XVIII. A fachada principal, ladeada
por duas torres quadradas, apresenta um portal simples
de cantaria com frontão interrompido, cujas volutas
enquadram uma cartela onde se inscrevem as Chagas de Cristo.
No eixo central abre-se mais acima um óculo emuldurado
pela cornija que corre a toda a largura do edificio. A
terminar, uma cimalha recortada em volutas.
A Capela de Nossa Senhora da Vila Velha deve ter sido
fundada em 1226, mas dessa época restam apenas
algumas cabeceiras de sepulturas e a tampa de um sarcófago.
Em termos de arquitectura civil também a vila é
digna dos maiores encómios. Como se lê num
opúsculo municipal, em Fronteira, "o eixo
que vai pela Rua dos Trigueiros ao Largo do Município
e deste à Rua de Aviz está ainda eivado
da casas nobres dos séculos XVII e XVIII que atestam
a importância da vila. Logo no Largo do Município
confrontam-se dois símbolos de um poder nobilitado
- a Torre da Vila e os Paços do Concelho, com as
armas de D. João V. Depois, sucedem-se os palácios
com o seu precioso trabalho em mármore ou massa,
como que irradiando da cabeça do poder, a ele se
associando e desse facto retirando força e legitimidade".
No "Guia de Portugal", Raul Proença chamava
a atenção para a Rua 5 de Outubro: "várias
casas com silhares de azulejos azuis e brancos de moldura
rocaille (cenas campestres, caça do avestruz, do
veado, do javali, instrumentos musicais). Notar, na mesma
rua, uma janela dupla de canto, manuelina, e uma linda
sacada com guarda de ferro forjado do século XV??,
lavrada de ramos, tulipas e esferas armilares".
A Torre do Relógio é uma construção
quadrilátera, em granito, com 24 metros de altura
e 4 metros de largura em cada um dos lados. Foi mandada
construir por provisão de 2 de Março de
1613 e reconstruída em 1878. Tem quatro olhais
com aros, cúpula azulejada e rematada por um catavento
de ferro forjado. Dos antigos símbolos dos seus
foros, exibe Fronteira um esbelto pelourinho, embora o
actual monumento não seja o original. O primitivo
foi demolido por duas vezes (cerca de 1830 e 1865). As
suas pedras andaram dispersas até 1940, ano em
que a Câmara Municipal decidiu reerguê-lo,
perpetuando assim os velhos e nobres pergaminhos da vila
de Fronteira.
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