| ESTREMOZ |
| Distrito: |
Estremoz |
| Freguesias: |
13 |
| Área |
513,82
Km2
|
| População
Presente (Total) |
15500 |
| Estradas |
Existentes:A6,
IP2, EN4, EN18, EN245, EN372, EN381. |




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Estremoz
é uma cidade do Alto Alentejo e caracteriza-se,
como quase todas as outras cidades alentejanas, pelo
seu aspecto branco, pelo seu clima seco, e pelo seu
enquadramento na extensa planície dourada.
Os seus habitantes, espalhados pelas suas treze freguesias,
são pessoas afáveis e hospitaleiras.
Primam pelo asseio que é visível em
toda a cidade pela brancura das casas regularmente
caiadas e pela limpeza das ruas.
É uma zona rica em mármores. A sua extracção
é uma das actividades locais, bem como a produção
de vinho, de azeite e o artesanato. São sobejamente
conhecidas as peças trabalhadas em barro, cortiça
e o vestuário feito em couro
A sua gastronomia é rica, trazendo vários
visitantes para apreciar o seu ensopado de borrego,
a sopa de cação, a burra assada no forno,
as migas e outros deliciosos pratos. Não esquecendo
as não menos saborosas sobremesas.
A lenda sobre as origens do brasão de armas
de Estremoz, fundamenta os símbolos que se
distinguem no do Município: o tremoceiro, o
sol, a lua e as estrelas.
Julga-se que no século XIII os Cavaleiros Templários
e muitos dos seus dependentes de Castelo Branco, foram
expulsos daquela terra pelo rei de Portugal, na sequência
de um delito grave que cometeram (homicídio
colectivo de pastores nómadas oriundos da Serra
da Estrela que avançaram nos pastos da campina
albicastrense). Percorreram durante algum tempo terras
do Alentejo, até chegarem às colinas
onde hoje se ergue Estremoz. Aí encontraram
grandes tremoceiros, sob cuja sombra descansaram e
dos quais fizeram a sua morada. Com o tempo outros
forasteiros vieram para esta zona, numa altura em
que a Rua Direita já se estendia, a partir
do Castelo, até a igreja de Santiago. Quando
se formou um núcleo populacional significativo,
foram enviados à Corte procuradores para pedirem
ao rei que concedesse aquela região um foral
régio, que será concedido em Dezembro
de 1258. Inquiridos sobre o que gostariam de ver representado
nas suas armas, responderam que gostariam de ver registada
a lembrança do que primeiro tiveram nessa terra:
a sua primeira casa - o tremoceiro -, e o tecto daquela:
o sol, a lua e as estrelas Esta história, que
explica também a origem da palavra que deu
nome ao burgo e ao concelho - tremoço terá
originado Estremoz- , situa a época do nascimento
da cidade. A fundação data do reinado
de D. Afonso III em 1258, com o foral a ser-lhe outorgado
em 1259.
A posição estratégica da cidadela
foi desde sempre um dos principais, senão o
principal motivo, para a importância que muitas
vezes a corte e os militares lhe atribuíram.
Estremoz foi ponto crucial resguardar o reino de ataques
fronteiriços, que tomaram papel significativo
no combate com Castela, a partir do século
XIV. O que hoje conhecemos como Largo D. José
I, foi o antigo Rossio de S. Brás, local onde
o Condestável Nuno Alvares Pereira convenceu
os seus homens a partir para a Batalha dos Atoleiros,
e onde em 1384, convocou os "alentejões"
para Aljubarrota, que se travou em 14 de Agosto de
1385. Depois da grande batalha, foi igualmente a partir
deste local que o Condestável invadiu Castela,
onde chegou a entrar 11 mil léguas…
Relaciona-se Estremoz com a Batalha de Valverde:
A História refere a disparidade de forças
entre os dois exércitos, o português
com apenas mil lanças e dois mil peões
e o espanhol, com mais de dez mil homens e a surpreendente
vitória que, apesar disso, Nuno Alvares viria
a obter. Conta-se que o Condestável vendo a
retaguarda do seu exército em perigo, desapareceu
do campo de batalha, para orar. Os seus homens foram
encontrá-lo fazendo preces com fervor. Apesar
do pedido dos seus cavaleiros, D. Nuno não
permitiu que fosse interrompido e só regressou
ao combate depois de finalizada a oração.
O inimigo castelhano veio a ser derrotado em Outubro
de 1385. A luta pela independência antes da
dinastia de Avis reservou também para Estremoz
o episódio entre a Rainha D. Leonor Teles e
o Conde de Andeiro. Nessa época, a corte de
D. Fernando - o último rei da primeira dinastia
- tinha-se instalado temporariamente naquela cidade
alentejana, no decorrer de um reinado que atravessou
três guerras com Castela, e uma crise política,
social e administrativa. Neste ponto, a participação
estremocense situou-se no facto de ter sido no castelo,
que o fidalgo espanhol e a rainha portuguesa se tornaram
amantes.
O Conde de Andeiro:
Foi um dos que mais ajudou D. Fernando a conspirar
contra Castela, com o objectivo claro de a invadir.
Mas a invasão falhou, e o fidalgo galego teve
de refugiar-se em Portugal. Esta situação
teve de ser imediatamente solucionada, logo que D.
Fernando assinou o tratado de paz com a Espanha. Sendo
impossível, por esse motivo, que os emigrados
espanhóis permanecessem em Portugal, e vendo
que o fidalgo galego se encontrava ameaçado
de prisão, o rei português resolveu escondê-lo
na Torre de Menagem em Estremoz, onde se encontrava
com a sua mulher, a rainha D. Leonor. Esta convivência,
que os acontecimentos políticos forçaram,
foi o inicio de uma relação amorosa
que escandalizou o reino e que valeu à D. Leonor
a alcunha de "Lucrécia Borgia portuguesa".
Após o falecimento de D. Fernando, em Outubro
de 1383, que deixou a coroa sem herdeiro varão,
Estremoz, tal como o resto do país, dividiu-se
entre os partidários de D. Leonor Teles - que
tinha assumido a regência do reino - e os seguidores
do Mestre de Avis. Os relatos documentais contam que
se viveu o patriotismo com excessos: que muitas fortalezas
foram tomadas pelo povo revoltado e que as mulheres
levantavam motins, e na luta, mostravam o mesmo valor
do que os homens. As contendas, os excessos terminaram
com a vitoria de D. João I, que os estremocenses
celebraram com o mesmo entusiasmo e a determinação
com que recuperaram o seu Castelo das mãos
dos partidários da rainha.
O protagonismo de Estremoz e do seu castelo:
Marcaram de variadas formas a história portuguesa.
Foi depois do assassinato de Inês de Castro
que no palácio do Castelo, D. Pedro I, enlouquecido,
veio encontrar a morte, e que decidiu enviar o seu
coração para o belo Convento de São
Francisco de Estremoz, localizado, tal como hoje,
junto ao Rossio. Foi também nele que se convocaram
um das primeiras cortes da segunda dinastia, desta
vez no reinado de D. João I, em1416. Nesta
sessão foram produzidas leis, algumas das quais
visaram restituir a liberdade aos judeus, uma medida
que viria a adquirir durante o reinado de D. Manuel
I, contornos diferentes. O rei português seguiu
a mesma política dos Reis Católicos
de Espanha, que decretaram a expulsão dos judeus
de Aragão e Castela, tendo muitos deles vindo
para Portugal. Sobre a questão judaica D. Manuel
foi em muitos casos, impiedoso. Uma das suas medidas
foi tomada durante as cortes que se realizaram em
Estremoz em1497, e no âmbito das quais promulgou
uma série de diplomas que obrigavam em todo
o reino, que se retirassem aos pais e as mães,
as crianças judaicas com menos de 14 anos.
Conta-se muitas tragédias sobre este facto:
que muitos judeus se mataram ou mataram os seus próprios
filhos para não vê-los entregues à
desgraça. E que outros, por não cumprirem
a imposição, foram mortos por mandato
real.
Ainda nessa época, a cidadela alentejana albergou
uma outra ilustre figura portuguesa. No tempo em que
as Descobertas começavam a tornar forma, como
a maior empresa lusitana de todos os tempos, morava
em Estremoz, segundo conta Damião Gois, Vasco
da Gama. Em 1497, o oficial foi chamado por D. Manuel
I - que se encontrava em Montemor o Novo refugiado
da peste - para conduzir a frota que mais tarde descobriria
o caminho marítimo para a Índia. Conta-se
que as mulheres de Estremoz bordaram uma bandeira
de seda que ofereceram a Vasco da Gama, e que este,
sensibilizado pelo gesto, a recebeu de joelhos.
A já referida importância estratégica
de Estremoz fez com que a cidade vive-se inúmeras
vezes em permanente estado de alerta. É bom
lembrar que as muralhas que hoje cercam a cidade foram
construídas no tempo de D. Afonso VI, em plena
Guerra da Independência e que pouco tempo depois,
logo a seguir a revolta de 1 de Dezembro de 1640,
o novo rei D. João IV providenciou a defesa
do País, não só estabelecendo
alianças estratégicas como promovendo
praças de armas, das quais Estremoz foi uma
das mais importantes de Portugal até meados
do século XVIII, quando o castelo foi transformado
em Centro Operacional. Um dos factos que hoje mais
se recordam, e que deriva da importância militar
desta cidade alentejana passou-se em 1698. Segundo
os historiadores, o Paço Medieval do belíssimo
edifício que D. Dinis no seu reinado mandou
construir, foi uma das maiores Salas de Armas da Europa.
No fim do século XVII, albergava entre outras
munições, quarenta mil armas e milhares
de arrobas de pólvora, um recheio que as campanhas
peninsulares de 1762 a 1801 e a luta contra as tropas
de Napoleão viriam esvaziar. Conta-se que na
manhã de 17 de Agosto de 1698, deflagrou repentinamente
um incêndio, provocado por uma explosão
que se ouviu em toda a vila. A destruição
foi enorme: os armazéns e o palácio
foram ao ar, a Torre de Menagem sofreu vários
prejuízos, vários prédios contíguos
se incendiaram, assim como muitas ruas da parta alta
da povoação. Dos edifícios nobre
que então existiam junto ao Castelo, hoje apenas
podemos admirar a capela da Rainha Santa Isabel. Da
Igreja Matriz de Santa Maria, ou melhor da sua traça
original (hoje é também um belo templo,
mas com uma arquitectura renovada) restou apenas a
Capela Mor. Adaptação de um Texto de
Maria João Pavão Serra. |
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Escudo de vermelho com um tremoceiro
de verde frutado de ouro e ladeado por dois tanques
quadrangulares de prata, tudo assente sobre rochedos
plantados de pequenos tremoceiros de sua cor; cada
tanque encimado por um
castelo de ouro de três torres, e em chefe,
o escudo de Portugal - Borgonha ( D. Afonso IV ),
entre uma lua de prata e um sol de ouro e duas estrelas
de oito raios, também de ouro. Coroa mural
de prata de cinco torres. Listel branco com os dizeres
a negro : " ESTREMOZ ". |
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