ARRONCHES
Distrito: Portalegre
Freguesias: 3
Área 346,56 km2
População Presente (Total) 3619
Estradas Existentes: EN246, EN371, EN246
Caminhos de Ferro
Linhas: DO LESTE
Estações  Assumar e Portalegre

O concelho de Arronches foi inicialmente povoado pelos Andaluzes, provenientes de Aroche, denominação que deu origem ao nome da região.Dizem que deve ter sido uma antiga povoação romana edificada junto à ribeira de Caia, fundada no tempo de Caio Caligula, no ano I da era de Cristã. D. Afonso Henriques conquistou-a ao Mouros em 1166, e D. Sancho II voltou a reconquistá-la, doando-a aos Cónegos Regrantes de Santa Cruz de Coimbra. D. Dinis deu-lhe foral em 1310 restaurando mais tarde o seu castelo, de que somente restam trechos da muralha e uma torre, "Torre da Cadeia", nome dado devido a anexação do presídio.

Vila e sede de concelho, Arronches dista 25 quilómetros da cidade de Portalegre. Esta freguesia, da invocação de Nossa Senhora da Assunção, ocupa uma área de 204,50 quilómetros quadrados.
Reza um opúsculo local que a “fundação de Arronches é muito antiga, sendo de presumir que a sua primeira fortaleza tivesse consistido num castro lusitano de povoamento. Aqui se fixaram os túrdulos no século IX antes de Cristo, transformando-se o castro numa importante fortaleza com o nome de Arronchela. Conquistada pelos romanos, em meados do século II antes de Cristo, seguiu-se a recuperação lusitana e nova reconquista romana no ano 45 antes de Cristo. Arronches, arrasada pelos Vândalos, em 411, foi reedificada dois anos depois pelos Alanos. No ano de 714, os mouros ocuparam a povoação”.
Sabe-se, por fontes documentais, que Arronches foi tomada aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1166, perdida de novo, e recuperada por D. Sancho II, em 1235. No entanto, só em 1242, com a reconquista de D. Paio Peres Correia, ficou definitivamente integrada nos domínios portugueses. Na altura do Interregno, foi a vez dos castelhanos tomarem Arronches, que viria a ser reconquistada por D. Nuno Álvares Pereira, em 1384. Em 1661, a vila sofreu a invasão de D. João de Áustria, para ser abandonada pelos espanhóis à aproximação do exército português. Em 1712, cercada de novo pelos castelhanos, conseguiu vencê-los, rendendo-se estes à primeira investida das nossas forças.
Arronches teve forais dados em 1255 por D. Afonso III, confirmado pelo mesmo monarca, em 1272, em 1512 por D. Manuel I, e em 1678 por D. Pedro II, sendo este último diploma um “foral novíssimo”, concessão de que poucas povoações usufruíram. Esta importância de Arronches já tinha ficado demonstrada em 1475, quando D. Afonso V aqui reuniu cortes para tratar do seu casamento com a princesa espanhola D. Joana. E antes ainda, quando D. Afonso IV e D. João I concederam notórios privilégios à vila.
Arronches foi uma importante praça de armas, com um castelo restaurado por D. Dinis em 1310. A fortaleza era tida em grande conta pelos nossos monarcas, pelo que Luís de Camões, em várias estâncias de “Os Lusíadas”, se refere, justamente, à “forte Arronches”. Os vestígios do castelo são hoje muito escassos, restando apenas uma torre a que chamam “Torre da Cadeia”. De forma quadrangular e sem ameias, é da época da reedificação promovida por D. Dinis. Em redor da vila encontram-se ainda alguns vestígios das antigas muralhas, mas com reconstruções do séc. XVII, e em mau estado de conservação.
A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção, fica situada junto dos paços do concelho. Substituiu, em meados do século XVI, o antigo templo gótico do padroado do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Atribui-se ao prior dos crúzios, S. Teotónio, a fundação desse templo.
O actual templo paroquial é de transição manuelino-renascença e de características regionais. Distribui-se, no seu interior, em corpo de três naves, com colunas toscanas suportando abóbadas à mesma altura, com nervuras e fechos armoriados dos escudos régios e da Ordem de Cristo.
Do convento de Nossa Senhora da Luz, de Agostinhos Descalços, restam ainda alguns motivos de interesse. Instituída em 1570, a igreja conserva o pórtico, renascença, iluminado por medalhões de donatários, e a galilé, de arcos plenos repousando em colunelos graníticos. Admire-se também a sala do capítulo, revestida de interessantes estuques, e o claustro, de galeria constituída por 24 sóbrias arcadas de pedra.
Em termos de arquitectura civil, realce--se o edifício dos paços do concelho, que remonta ao século XVI, tendo sofrido alterações nos dois séculos seguintes. A fachada possui ao centro o brasão da vila, que consta de um castelo com o escudo das quinas, onde se pode ler: “Estas são as armas desta nobre vila de Arronches”.

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