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O concelho
de Arronches foi inicialmente povoado pelos Andaluzes,
provenientes de Aroche, denominação que
deu origem ao nome da região.Dizem que deve ter
sido uma antiga povoação romana edificada
junto à ribeira de Caia, fundada no tempo de
Caio Caligula, no ano I da era de Cristã. D.
Afonso Henriques conquistou-a ao Mouros em 1166, e D.
Sancho II voltou a reconquistá-la, doando-a aos
Cónegos Regrantes de Santa Cruz de Coimbra. D.
Dinis deu-lhe foral em 1310 restaurando mais tarde o
seu castelo, de que somente restam trechos da muralha
e uma torre, "Torre da Cadeia", nome dado
devido a anexação do presídio.
Vila e sede de concelho,
Arronches dista 25 quilómetros da cidade de Portalegre.
Esta freguesia, da invocação de Nossa
Senhora da Assunção, ocupa uma área
de 204,50 quilómetros quadrados.
Reza um opúsculo local que a “fundação
de Arronches é muito antiga, sendo de presumir
que a sua primeira fortaleza tivesse consistido num
castro lusitano de povoamento. Aqui se fixaram os túrdulos
no século IX antes de Cristo, transformando-se
o castro numa importante fortaleza com o nome de Arronchela.
Conquistada pelos romanos, em meados do século
II antes de Cristo, seguiu-se a recuperação
lusitana e nova reconquista romana no ano 45 antes de
Cristo. Arronches, arrasada pelos Vândalos, em
411, foi reedificada dois anos depois pelos Alanos.
No ano de 714, os mouros ocuparam a povoação”.
Sabe-se, por fontes documentais, que Arronches foi tomada
aos mouros por D. Afonso Henriques, em 1166, perdida
de novo, e recuperada por D. Sancho II, em 1235. No
entanto, só em 1242, com a reconquista de D.
Paio Peres Correia, ficou definitivamente integrada
nos domínios portugueses. Na altura do Interregno,
foi a vez dos castelhanos tomarem Arronches, que viria
a ser reconquistada por D. Nuno Álvares Pereira,
em 1384. Em 1661, a vila sofreu a invasão de
D. João de Áustria, para ser abandonada
pelos espanhóis à aproximação
do exército português. Em 1712, cercada
de novo pelos castelhanos, conseguiu vencê-los,
rendendo-se estes à primeira investida das nossas
forças.
Arronches teve forais dados em 1255 por D. Afonso III,
confirmado pelo mesmo monarca, em 1272, em 1512 por
D. Manuel I, e em 1678 por D. Pedro II, sendo este último
diploma um “foral novíssimo”, concessão
de que poucas povoações usufruíram.
Esta importância de Arronches já tinha
ficado demonstrada em 1475, quando D. Afonso V aqui
reuniu cortes para tratar do seu casamento com a princesa
espanhola D. Joana. E antes ainda, quando D. Afonso
IV e D. João I concederam notórios privilégios
à vila.
Arronches foi uma importante praça de armas,
com um castelo restaurado por D. Dinis em 1310. A fortaleza
era tida em grande conta pelos nossos monarcas, pelo
que Luís de Camões, em várias estâncias
de “Os Lusíadas”, se refere, justamente,
à “forte Arronches”. Os vestígios
do castelo são hoje muito escassos, restando
apenas uma torre a que chamam “Torre da Cadeia”.
De forma quadrangular e sem ameias, é da época
da reedificação promovida por D. Dinis.
Em redor da vila encontram-se ainda alguns vestígios
das antigas muralhas, mas com reconstruções
do séc. XVII, e em mau estado de conservação.
A igreja matriz, dedicada a Nossa Senhora da Assunção,
fica situada junto dos paços do concelho. Substituiu,
em meados do século XVI, o antigo templo gótico
do padroado do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Atribui-se
ao prior dos crúzios, S. Teotónio, a fundação
desse templo.
O actual templo paroquial é de transição
manuelino-renascença e de características
regionais. Distribui-se, no seu interior, em corpo de
três naves, com colunas toscanas suportando abóbadas
à mesma altura, com nervuras e fechos armoriados
dos escudos régios e da Ordem de Cristo.
Do convento de Nossa Senhora da Luz, de Agostinhos Descalços,
restam ainda alguns motivos de interesse. Instituída
em 1570, a igreja conserva o pórtico, renascença,
iluminado por medalhões de donatários,
e a galilé, de arcos plenos repousando em colunelos
graníticos. Admire-se também a sala do
capítulo, revestida de interessantes estuques,
e o claustro, de galeria constituída por 24 sóbrias
arcadas de pedra.
Em termos de arquitectura civil, realce--se o edifício
dos paços do concelho, que remonta ao século
XVI, tendo sofrido alterações nos dois
séculos seguintes. A fachada possui ao centro
o brasão da vila, que consta de um castelo com
o escudo das quinas, onde se pode ler: “Estas
são as armas desta nobre vila de Arronches”.
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