Alter do Chão
Distrito: Portalegre
Freguesias: 4
Área 362 km2
População Presente (Total) 4 492
Estradas Existentes: IC13, EN245
Caminhos de Ferro
Linhas: do Leste
Estações  Crato
 
Concelho de cariz essencialmente rural, Alter do Chão ocupa uma área de 466,04 quilómetros quadrados que se distribui entre os concelhos de Crato, Avis, Fronteira, Monforte e Ponte de Sor.
A rede hidrográfica deste concelho é constituída pela ribeira de Seda, que o atravessa de nordeste para sudoeste, e por uma grande parte dos seus afluentes. O relevo é bastante acidentado, especialmente na bacia hidrográfica da ribeira referida. O solo é de natureza xistosa, calcária e granítica. Nele foram identificadas minas de ferro e de outros minerais, embora não exploradas. Toda a área concelhia é de grande riqueza arqueológica, tendo sido encontrados vestígios que atestam a presença humana ao longo de diversas épocas. As mais representadas são as anteriores à Romanização. Adquire particular importância o número de monumentos megalíticos identificados: cerca de quatro dezenas de antas.
Numa excelente reportagem sobre este concelho, escreveu Paula Ramos que, aqui, "o dia parece querer mergulhar nos seus mais profundos recônditos mistérios, enfeitando o céu com rios de cores fantasiosas que envolvem uma redondíssima bola de fogo que mais parece um balão a flutuar no ar. Uma planície talhada de castanho e fatias de terra fortemente avermelhada. Depois alguém decide surpreender o viajante com extensões magníficas de dourado e de verde, salpicadas por ovelhas que animam os campos com chocalhos que servem de melodia aos cantares serenos dos pastores. Quase sem darmos por isso delineia-se um amontoado de telhados vermelhos, paredes brancas e torres de igrejas debruadas a amarelo, que parecem adormecidas e suspensas na planície".
É nesta planície, situada em pleno coração do distrito de Portalegre, que se circunscrevem os actuais limites do concelho de Alter do Chão. A actual composição concelhia data apenas de meados do século XIX, quando nele foram incorporadas as antigas vilas de Chancelaria e Seda, até então com foros de jurisdição própria. Chancelaria tinha foral manuelino de 1518. Seda, além do privilégio dado pelo mesmo monarca em 1510, tinha um outro datado de 1271. A vila de Alter recebeu o seu primeiro foral em 1232, vindo depois a merecer uma especial atenção por parte de D. Dinis, que a contemplou com novos diplomas, e de D. Pedro I que, em 1359, lhe construiu o castelo. Em 1512, D. Manuel concedeu-lhe foral novo.
A orla do inicial concelho de Alter do Chão manteve-se praticamente imutável em todos os documentos. Com efeito, até 1842, a sua constituição era simples: Alter do Chão e S. Bartolomeu do Reguengo. Após o seu primeiro alargamento significativo, subsequente das reformas do século XIX, o elenco de freguesias do concelho era o seguinte: Alter do Chão, englobando a aldeia de Reguengo; Chancelaria, de que fazia parte o lugar de Cunheira; Seda, tendo por limite Sarrazola. Alter Pedroso, nascida de um núcleo comum a Alter do Chão, e que durante muito tempo fez parte do concelho de Cabeço de Vide, onde chegou a ter uma importância notória que o tempo foi diluindo, nunca logrou ser freguesia do concelho de Alter. Pelo contrário, a pequena aldeia de Cunheira conseguiu, em 1976, autonomizar-se da vila de Chancelaria, constituindo a última alteração verificada na composição concelhia.
Esta terra conserva ainda a sedução do espírito calmo e tranquilo. Contam-se histórias antigas e fazem-se rendas à porta das casas. Os artesãos continuam a imortalizar machados, cochos, cabaças, escadas para a apanha da azeitona, moldando com mãos ágeis pedaços de cortiça e nacos de madeira. A sua gastronomia preza em continuar a oferecer pratos típicos como o sarapatel, o ensopado com açafrão e doces como as fatias da China e de Alter do Chão. Gastronomia e artesanato juntam-se todos os anos em "Álamo à Noite", famosa feira destinada a promover aqueles produtos, realizada durante o último fim-de-semana de Julho.
Não se pode falar sobre Alter sem se referir a importância do cavalo Alter e a célebre Coudelaria. A antiga Coudelaria Real foi uma das instituições, talvez a mais importante, a contribuir para a divulgação do nome de Alter do Chão. Fundada por D. João V em 1748, na coutada do Arneiro, destinava-se a fornecer cavalos de boa qualidade produzidos em Portugal. A iniciativa do empreendimento ficou-se a dever ao então príncipe D. José, que seria o seu grande dinamizador. Daqui saiu o cavalo "Gentil", modelo do cavalo da estátua de D. José, erigida em Lisboa por Machado de Castro. Iniciada a produção com 40 éguas andaluzas, depressa o número de cabeças atingiu as duas centenas. Era a magnífica casta conhecida por "Alter Real", outrora a primeira de todas as nossas raças cavalares.
A raça conseguiu manter-se pura até às Invasões Francesas. Nessa época, juntaram-lhe éguas francesas, assim como cavalos ingleses e alemães. E a coudelaria depressa entrou em decadência. Diminuição da corpulência e falta de ardor assinalavam o enfraquecimento da raça. Na tentativa de a recuperar e pensando em obter cavalos de corrida, utilizaram-se garanhões árabes, o que tornou a cabeça dos descendentes um pouco mais pequena. Nos finais do século XIX voltaram a juntar-se cavalos espanhóis, numa tentativa de conseguir de novo rusticidade e envergadura. Pelos inícios do século XX reintroduziram-se cavalos orientais, agora com a intenção de se obterem cavalos militares.
Pela década de 30, a raça dos cavalos de Alter estava praticamente extinta. Em 1942, a administração da coudelaria, transformada em estação pecuária, passou a depender do Ministério da Economia e, desde então, a raça tem vindo a ser reestruturada e aumentado o número de cabeças. Nos últimos tempos, a Coudelaria de Alter sofreu um forte impulso de dinamismo e revitalização. Se a ela e ao seu historial se juntar o vasto e rico património cultural e edificado, e tudo o mais que este concelho tem para oferecer, fica explicado por que razão Alter do Chão é um bom local para viver, para visitar, e porque muitos lhe chamam uma verdadeira "Pérola Alentejana".
Escudo cortado de prata e de negro. No primeiro, um castelo de vermelho, aberto e iluminado de negro acompanhado de duas quinas de Portugal. No segundo uma fonte de ouro realçada de negro repuxando de prata aguada de azul, acompanhada de duas flores-de-lis de ouro. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco com os dizeres a negro : " VILA DE ALTER DO CHÃO ".

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