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Do pão, símbolo dos anseios do povo nas
palavras de políticos e poetas: pão e
circo; a paz, o pão, a saúde, a habitação...
Do pão, mote das sentenças populares:
pão, pão, queijo, queijo;" |
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Uma
herança bem antiga, esta do Pão. Tão
antiga que, morre nas profundezas do nascimento
da civilidade nas práticas alimentares. Será
também o pão a fazer a destrinça
entre homens civilizados e homens bárbaros.
É também o pão que inaugura
a época do homem transformador, do homem
do saber fazer. Do saber fazer que, para além
do pão, também se estende ao azeite
e ao vinho, tripeça fundamental da civilização
mediterrânea.
Os romanos, grandes difusores da cultura da alimentação
tinham no pão um emblema forte da sua dieta.
Aquando da sua chegada ao Alentejo, já o
pão fermentado tinha substituído o
pão ázimo. É ainda com este
pão milenar que, hoje, no dia a dia, continuamos
a partilhar a comunhão desta nossa manêra
de ser.
Sobre o fabrico do pão nos finais do século
XIX, no Alentejo, transcrevo um interessante enxerto
do livro, Através dos Campos de José
da Silva Picão, dado à estampa em
1903: Amassaria – É a oficina do fabrico
de pão das diferentes qualidades que se consomem.
Tomando por base a importância do consumo,
temos em primeiro lugar o pão de centeio,
denominado marrocate, que se dá aos criados
e malteses; em segundo, o pão de trigo –
branco e ralo – que é respectivamente
para amos e criados de portas adentro; em terceiro
e último, as perrumas, pão de farelos
de centeio com que alimentam os cães de gado.
Ainda hoje somos guardadores zelosos desta Epopeia
do Pão. Do pão, símbolo dos
anseios do povo nas palavras de políticos
e poetas: pão e circo; a paz, o pão,
a saúde, a habitação... Do
pão, mote das sentenças populares:
pão, pão, queijo, queijo; a pão
e laranjas; comer o pão que o diabo amassou...
Do moreno pão de trigo do Alentejo, que em
tempos idos também o foi de centeio.
E tal como não dispensamos o azeite e o vinho,
o mesmo fazemos com o pão nosso de cada dia.
Que Ele continue a ser o assento do naco de toucinho
e da lasca de queijo. Que Ele continue a ser a sagrada
comedoria no gaspacho, no ensopado, nas migas e
na açorda. Que Ele continue a ser alentejano.
Mas, voltando à açorda pódio
primeiro do uso pão. Tem a nossa manêra
de ser a virtude da poupança ao usar o panito
mesmo depois de duro, em cubos ou falquejado, na
condição de substância húmida.
Têm toda a razão aqueles que dizem
que, o Alentejo, é também a terra
das sopas. Digo eu: das sopas, mas com pão!
Publicado por "http://alentejanando.weblog.com.pt/arquivo/024653.html"
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Receita
Pão Alentejano
Farinha trigo tipo 80 1000
g
Sal 17 g
VARIA 20 g
LEVEDURA ROUGE 7 g
ou Levedura fresca 20 g
Massa fermentada 250 g
Água 560 g
ou Levedura fresca 50 g
Modo de Operar
Tempo de amassadura ±1500 rotações
Temperatura da massa: 26-28ºC
1ª fermentação em massa
(estanca) 45-60 minutos
2ª fermentação em bolas
(após tendedura) 20 a 30 minutos
3ª fermentação em tabuleiros
30-40 minutos
Cozedura: 180-200ºC, ±45-60 minutos
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