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"No Alentejo, a colheita de azeitonas está no fim e à passagem por aldeias e vilas o ar fica inundado pelo odor a azeite que emana dos lagares e da lenha de azinho que arde nas casas."

1 – AS ORIGENS

É a oliveira, indubitavelmente, um dos sinais de identidade do Mediterrâneo. Desde tempos imemoriais constituiu símbolo universal de paz, e mesmo as civilizações desenvolvidas nas margens daquele imenso mar lhe fazem referências nos seus livros sagrados. Estes textos, afinal, bem comprovam a múltipla função do azeite e com ele, necessariamente, da oliveira.

Tal matéria-prima, tão rica em possibilidades, bem merece tamanhas atenções. A sua madeira é utilizada e o fruto é comestível. O azeite que dela emana, ilumina, alimenta, cura, lubrifica, embeleza como unguento e, nos ritos, liberta aos fiéis do pecado. Mas é também objecto de comércio e por isso, gera riqueza.

A cultura da oliveira remonta a uns 6.000 anos a. C, existindo evidências arqueológicas, caroços encontrados em Teleilat Ghassul (Mar Morto), cuja datação permitiu situar a sua existência entre 3.700-3.500 anos a .C. Esta cultura, sabemos hoje todos, junto com a videira a palmeira dactil e a romeira, foi uma das primeiras fruteiras a ser domesticada no Médio Oriente, sendo a partir desta geografia que posteriormente se realiza a sua expansão em direcção à bacia mediterrânea.

A oliveira pertence á familia botânica Oleaceae que compreende especies de plantas distribuidas por todos os continentes com excepçao da Antártida. Aquela família, constituída por árvores e arbustos, engloba 29 géneros principais e aproximadamente 600 espécies. O género Olea inclui várias espécies e subespécies (mais de 30), todas elas procedentes de áreas de condições ambientais relativamente difíceis. A única espécie de fruto comestóivel é a oliveira designada então por Olea europaea L. Incluída nela estao todas as oliveiras culivadas e também as formas silvestres e zambujeiros. Ainda que existam opiniões diferentes, considera-se que as oliveiras cultivadas pertencem à sub espécie sativa e as formas silvestres à su espécie sylvestris.

A grande diversidade existente dentro da espécie parecem indicar uma origem alopoliploide ou seja, pode esperar-se que possam ter ocorrido cruzamentos naturais e/ou reorganizações cromossómicas entre espécies afins da Olea. De facto, a sua natureza híbrida é resultado da falta de homologia dos seus 23 pares de cromossomas que formam o seu cariotipo.

É efectivamente a árvore da eternidade. Tanto a sua particular estrutura radicular, que faz com que apenas sectorialmente a raíz se corresponda com a copa; a especial conformação de suas folhas e estomas que possibilitam a defesa da árvore em períodos de escassez de água; a enorme capacidade de regeneração da planta, tanto a partir de material de poda como da própria planta adulta, enfim são tudo caracteristicas que a diferenciam das suas congéneres fruteiras e que a tornam como antes se disse, eterna.
Texto: Fernando Antunes, EngºAgr, PhD -
santos_antunes@yahoo.com.br
Azeitonas e Azeite do Alentejo

 

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