UM POUCO DE HISTÓRIA

21.05.2007

Ana Trigueiro

Seguimos o Caminho de Ronda para observarmos um pouco mais da cintura amuralhada seiscentista de Elvas. Vamos, então, conhecer o Baluarte da Praça d’Armas ou Parada. Ficamos, também, a conhecer o seu cavaleiro.

BALUARTE DA PRAÇA D’ARMAS OU PARADA, COM CAVALEIRO

Este baluarte está virado a S e é constituído por dois flancos, um para a praça d’armas entrincheirada e o outro para o revelim das portas de Olivença, formando ângulos de 90 o. As suas faces são grandes, enquadrando uma extensa linha de protecção à Praça e à sua cortina e fosso. O ângulo flanqueado também é de 90 o. A gola é larga. Temos por isso capacidade para 4 canhoneiras entaipadas apoiadas por 5 merlões, no flanco; na face virada a S/E 6 merlões com 5 canhoneiras e na virada a S/O 7 merlões com 6 canhoneiras viradas para o revelim e no flanco final 3 merlões com 2 canhoneiras. Em cada ângulo posiciona-se uma guarita com corredor de acesso. Seguindo a ordem temos em primeiro lugar uma pentagonal com frestas em todos os lados, friso simples, tecto a acompanhar os remates e termina com galanteria triangular. A segunda é semelhante, sendo côncava e termina com galanteria. A última é arredondada com moldura a fazer 4 lados, friso simples com meia laranja pentagonal e galanteria. Três frestas.

O Cavaleiro permite uma segunda linha de fogo no mesmo sentido. Podemos observar que o desenho do cavaleiro do Baluarte do Casarão tem linhas rectas, enquanto este se apresenta arredondado para o lado esquerdo, virado a S/E. O acesso faz-se na gola do baluarte, é constituído por 11 merlões e 10 canhoneiras.

 

CORTINA COM PORTA DE OLIVENÇA E REVELIM

Esta cortina fica virada a sul e engloba a segunda porta principal da muralha – a de Olivença (porque fica no sentido da vizinha vila de Olivença) e era a última porta a fechar-se à noite até 1875. A porta era levadiça (o que já não acontece hoje) apoiada por ponte até ao revelim onde fica a porta exterior, também levadiça (actualmente já não existe e junta em alvenaria à ponte que se lhe segue) seguindo em ponte até ao caminho coberto.

O acesso ao piso superior do revelim é feito pelo lado direito, atacando o inimigo com 4 canhoneiras e 5 merlões na face esquerda e igual número na face virada a S/W. Temos então um corredor que termina em guarita no ângulo flanqueado de desenho hexagonal e moldura, meia laranja de seis lados e galanteria. A base é a normal: esfera, concha, e segmento côncavo e cordão. Na parte inferior possuiu pequena divisão com 3 portas e uma janela.

O desenho da porta da cortina divide-se em três partes: dois almofadões laterais que apoiam porta em arco pleno ou alteado; o cordão divide a parte superior que suporta um friso simples onde a meio está uma inscrição. Na parte superior temos a meio o escudo, encimado por coroa e ladeado por duas figuras militares, e nos extremos situam-se pináculos esféricos. A porta do revelim tem arco rebaixado, apoiado por dois pés- -direitos. Na parte superior temos a meio figura de 2 canhões com estandarte a fazer os braços da armadura, que se posiciona ao centro. No lado esquerdo vêem-se balas pequenas com tambor e estandarte; no lado direito balas grandes com estandarte.

 

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, João de. Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses: Distritos de Portalegre, Évora, Beja e Faro. Vol. III. Colecção “Ao serviço do Império”. Lisboa: Edição de Autor; 1947.

BUCHO, Domingos. Herança Cultural e Práticas do Restauro arquitectónico em Portugal durante o Estado Novo. Dissertação de doutoramento apresentada à Universidade de Évora. Évora; 2000.

BUCHO, Domingo Almeida. Fortificações de Campo Maior: História, arquitectura e restauro. Colecção Fortificações do Norte Alentejano. Portalegre: Região de Turismo de S. Mamede; 2002.

CORDEIRO, Jayme Frederico (Coord.) Diccionário Militar: Etymologico, histórico, technologico. Lisboa: diário de Lisboa; 1880.

GAMA, Eurico. A vida Quotidiana em Elvas durante o Cerco e a Batalha das “Linhas de Elvas”. Colecção “À sombra do Aqueduto”. Elvas: Estudos Elvenses; 1965.

HENRIQUES, Mendo Castro (dir.). Linhas de Elvas 1659: Prova de Força de António Paulo David Duarte. Colecção Batalhas de Portugal. Lisboa: Tribuna; 2003.

KEIL, Luís. Inventário Artístico de Portugal: Distrito de Portalegre. Lisboa: Academia Nacional das Belas Artes; 1943.

LOBO, Francisco Sousa. “Um olhar militar sobre Valença”. Revista Monumentos. nº12. DGEMN/ Ministério do Equipamento Social; Março 2000. pp. 40 a 47.

MOURA, Carlos. “Do rigor teórico à urgência prática: a arquitectura militar de Rafael Moreira”. In História da Arte em Portugal: O limiar do barroco. Vol. 8. Lisboa: Alfa; 1999. pp. 67 a 85.

NUNES, António Lopes Pires. Dicionário Temático de Arquitectura Militar e Arte de Fortificar. Direcção do Serviço Histórico Militar. Lisboa: Estado Maior do Exército; 1991.

 

Ana Trigueiro
Licenciada em História - Ramo do Património Cultural

GLOSSÁRIO

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  Comentários
Nome: Félix-Jesús Fernández Localidade: Mérida (Extremadura) Email: felixjota@portugalmail.pt
 
 
Mensagem: Bom dia! Sempre que tenho um bocadinho de tempo descontraido
volto às paginas de tudoben. Gosto muito delas: envío algum bilhete postal
aos amigos, leio as notícias de actualidade sobre o caro Alentejo,
espreito as fotografias, tao engraçadas...também recomendei a vossa página
web a alguns colegas estremenhos que, como eu próprio, estao a estudar
português. Parabéns à Dra. Trigueiro pelos fantásticos artigos sobre as
fortificaçoes d'Elvas.
Cordiais cumprimentos,
Félix-J.Data:  01/06/2007

   
Nome: Manuel Guerra Localidade: Elvas
  Mensagem: Porque não se fazem percursos, devidamente indicados e com
placas explicativas, para se poder ver ao vivo o que se vê aqui em
fotografias no trabalho sobre as muralhas? data: 11.06.07
   

 

 
 
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