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A vida é feita de pequenos entusiasmos. E este é um deles. Escrever num portal de Internet é também um grande desafio. Um desafio lançado pelo "tudoben.com" que eu, desde logo, aceitei e agradeço.
Escreverei sobre história – um tema que me é muito querido.
Elvas e a sua muralha seiscentista são o primeiro assunto escolhido. Neste primeiro post é feita a apresentação da muralha ao qual se seguirão outros, explicativos da componente do reduto, totalizando, cerca de 15 posts diferentes sobre a questão. Ou seja, a pouco e pouco vamos descobrindo e identificando toda a muralha que protege esta cidade alentejana.
Vamos então começar!
A MURALHA SEISCENTISTA DE ELVAS
A muralha seiscentista de Elvas é a quarta cintura fortificada que cerca esta cidade raiana. Este perímetro abaluartado foi construído adossado a uma outra muralha já existente do século XIV, a fernandina, representada no Livro das Fortalezas de Duarte D’Armas. Esta foi uma construção com 22 torres e 11 portas que permitiu o crescimento urbano sem limitações durante vários anos.
A Restauração (1640-1668) trouxe novas construções à então recente cidade de Elvas, criada em 23 de Abril de 1513 por ordem de D. Manuel I e com o estatuto de Cidade Episcopal desde 1570 atribuído por Pio V. Para afirmar a autoridade portuguesa e proteger o povo dos inimigos castelhanos foi necessário edificar uma nova linha de muralhas que transformou Elvas numa das principais cidades fortificadas de Portugal. A nova concepção defensiva que se instituiu na época, as novas armas de fogo, a introdução do baluarte surgido em Itália, bem como a nova arte de fortificar e as várias escolas de fortificação europeias permitiram a construção de uma Praça de Armas com o desenho e estrutura para a defesa do País. Como consequência temos o aparecimento da profissionalização do exército e uma guerra comandada pelo “Conselho de Guerra” e subordinada a uma estratégia de defesa definida por Lisboa.
Jan Ciermans, conhecido em Portugal por João Paschasio Cosmander, chegou a Portugal em 1641, sendo convidado por D. João IV para inspeccionar as fortificações do reino e melhorá-las. A sua chegada a Elvas data de 1643 e é a partir daí que a sua fisionomia é novamente alterada pelas exigências militares. O projecto de defesa abaluartada foi rapidamente concretizado; em 1644 as novas fortificações já fechavam metade do recinto da cidade. E em 1648, aquando da morte de Cosmander, Elvas possuía 7 baluartes, 3 meio-baluartes, dois redentes e várias obras exteriores.
Segundo Edwin Paar, este perímetro fortificado foi construído conforme o Primeiro Sistema Holandês de Fortificação. O desenho e a própria estrutura estão adaptados a novas armas de fogo e ao novo sistema de combate. As fortalezas eram defendidas com artilharia e mosquete e com canhão de ferro e bronze. A nova fortificação é traçada segundo um plano matemático e geométrico aliado aos conhecimentos de balística que desenha uma configuração geométrica altamente sofisticada, alterando a concepção estética do passado: a verticalidade do castelo medieval é substituída pela horizontalidade do sistema abaluartado da fortificação moderna.
Hoje encontramos uma praça constituída por sete baluartes, quatro meio-baluartes, e um redente e várias obras exteriores que permitiam levar a defesa a uma distância mais afastada da praça, todas adaptadas à topografia do terreno.
As muralhas e as obras anexas da Praça de Elvas estão classificadas como Monumento Nacional pelo Decreto nº 28536 de 22-3-1938; Decreto nº 30762 de 26-9-1940 e Decreto nº 37077 de 29-9-1948.
Nas próximas semanas iremos apresentar um esquema da muralha elvense indicando as várias componentes do reduto.
Nas próximas semanas iremos apresentar um esquema da muralha elvense indicando as várias componentes do reduto. Serão vários post’s iniciados com a explicação do Baluarte de Santa Bárbara, que se localiza no Castelo. Seguiremos depois pelo Caminho de Ronda e a pouco e pouco daremos a volta à muralha. Será um pequeno passeio histórico, uma visita guiada ao circuito amuralhado do século dezassete.
Ana Trigueiro
Licenciada em História - Ramo do Património Cultural
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