Os namoros na net

19.11.2007

Maneta Alhinho

Chamando nós namoro a tanta coisa, parece no entanto pacífico dizer que se trata de uma fase de descoberta do Outro, e de um tipo de relação com muitas e especificas sensações e emoções associadas. Para lá da atracção que inicia o contacto, tem-se a expectativa de que esse contacto dure o suficiente para se averiguar da natureza do que se sente.

Nem as avós mais conservadoras defendem já distâncias e casulos, missivas longas em lugar de encontros, ou namoros supervisionados por dignas tias armadas em pau-de-cabeleira. No tempo delas, os namoros desenrolavam-se por carta. Começavam e acabavam sem nenhum contacto físico e as frases eloquentes, as imagens esforçadamente construídas e os pequenos sinais contidos na cor ou no odor do papel, na lágrima esborratando duas sílabas, falavam por si. Depois, o hábito epistolar caiu em desuso. Dizem que foi por causa do telefone.

Contra tudo o que se podia esperar, incluindo a opinião das avós, o revivalismo instalado determina que muito dos actuais namoros se desenvolvam por escrito. Com pequenas reformulações, é certo. A escrita é agora por computador e as mensagens enviam-se e recebem-se em tempo real ou interactivamente via net. Todos os dias, de preferência todas as noites, muitas pessoas sentam-se em frente ao computador à procura da alma gémea. Pegam na conversa com aquele, ou aquela, que lhes parece mais provável e, email para cá, email para lá, passam ao Messenger e chegam ao telefonema. Nalguns casos, se tiverem câmaras instaladas, inicia-se o videonamoro ou, pelo menos, trocam-se fotografias retocadas.

Se tudo parecer nos conformes, um dia marcam um encontro e conhecem-se pessoalmente. Depois, logo se vê. Mas não deixa de ser curioso verificar que, numa época de milhares de locais de lazer, de bares, discotecas e pontos de encontro em que as pessoas facilmente se tocam e se vêem, seja por computador que as pessoas conversem.

Claro que os namoros virtuais têm vantagens e inconvenientes. Para quem entra no jogo, é confortante saber que pode desistir a qualquer momento, fazer de conta que é apenas uma brincadeira, aproveitar o que faz bem ao ego e deitar fora o que não se coaduna com as suas perspectivas.

Ainda assim, há sempre o dia do confronto, o dia em que de facto se conhece o outro que agrada ou não agrada. E, acreditem, é aí que o namoro começa, porque nestas coisas o virtual é-o, de facto, até passar a ser real.

Maneta Alhinho

 

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  Comentários
Nome: Carlos Oliveira Localidade: Quinta do Conde Email: c.oliveira@hotmail.com
  Mensagem: Vim agora da assembleia de freguesia e ao comentar com amigos
sobre o Maneta Alhinho, recomendaram-me este site que visitei já faz um
tempo e que me agradou na integra. Eu, um homem do Norte, aprendi muito
nesta visita e igualmente soube da fase dificil que atravessa na sua vida.
Li tudo o que este site nos oferece sobre o seu trabalho e a entrevista
que é o seu espelho e a forma que conhecemos de enfrentar a vida. Quanto
ao seu texto, estou de acordo com tantos vendedores de imagens que
proliferam os nossos dias e o senhor que é uma figura isola-se e
esconde-se neste recanto do seu Alentejo. Pois bem. Quero realçar a sua
estrutura cultural e ao mesmo tempo o tudoben por ter nos seus quadros um
homem desta envergadura. Apareça caro amigo. Tudo de bom para si e familia
do Carlos Oliveira. 17.11.07
   
Nome: Carmen Silveira Localidade: Londres Email: carmenlondres@hotmail.co.uk
  Mensagem: A conselho da escritora e amiga Filomena Camacho, visitei o
vosso site ao qual adorei o seu conteudo. Disseram-me para ler um artigo
deste autor com o titulo «vendedores de imagens» que não encontro, nem nos
arquivos. Bom, não interessa para já, pois descobri este texto que é o
espelho real da minha vida. Conheci o meu marido via internet e hoje sou
uma mulher feliz. Pergunto há mal nisto. O autor que me recomendaram como
já disse, abre-se para os dois lados, o que permite quem o lê ter duas
visões deste tipo de namoro. Pode ser impessoal mas comigo resultou. Para
o Alentejo, para Portugal saudações de Londres. Carmen Silveira 18.11.07
   
Nome: Armando Marreiros Localidade: Sesimbra Email: armandomarreiros01@hotmail.com
  Mensagem: Eu conheço bem este jornalista que já me fez uma entrevista para
o jornal Record. Eu era o 3.º guarda-redes do Sporting, quando Victor
Damas era o titular e o Rui Correia o suplente. Infelizmente, numa viagem
para Olhão, a minha terra natal, tive um acidente de tal forma que fiquei
sem uma perna, acabando-se aí a minha carreira desportiva. Hoje, com uma
protese sou treinador de guarda-redes aqui em Sesimbra e graças ao facto
de ter conhecido o mister Alhinho. Este homem fez de mim uma pessoa válida
e útil ao desporto e para a vida. Quanto ao seu trabalho neste site, não
tenho cultura para comentar as suas palavras. O que posso dizer é que é um
ser humano que não há igual. O Armando estará sempre com este homem das
palavras e do desporto.Data:  21/11/2007
   
Nome: Carla Gamboa Localidade: Pelos mares já antes navegados Email: omitido por razões profissionais
  Mensagem: Olá Alhinho. A vida de artista não é fácil e como sabes ando nos
cruzeiros cantando e animando os jantares. Uma experiência nova. Nos mares
da Noruega o meu contacto com os amigos é a via da net. O teu artigo está
fantástico aliás como tu. Eu sirvo-me deste meio para namorar e contactar
a familia, pois,  nesta vida que escolhi por não ter outra é a única opção
que tenho. Estarei em Portugal dois dias antes do Natal. Continuas a
escrever como ninguém. Estes meses de navegação maritima dão para pensar e
tenho ideias definidas que quero dizer-te em primeira mão. Conto contigo
para o próximo CD. Pode ser? Um beijo para ti e a este site que me diverte
tanto. Carla Gamboa. 23/11/2007
   
 
 
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