Vendedores de “imagens”

24.10.2007

Maneta Alhinho

Ensinaram-nos em pequeninos, em histórias de adormecer que já esquecemos, mas cujas morais perduram, que não se pode ser avaro e ganancioso e que quem tudo quer tudo perde.

Vem isto a talho de foice de um extenso conjunto de mensagens que nos inundam, bombardeiam, ou se quiserem, desde que na mesma linha associativa e que sugira um abafamento da capacidade de raciocínio lógico pela repetição exaustiva de um mesmo conteúdo que passa por “verdadeiro”.

São aquelas mensagens pensadas e destinadas a implantar em nós ideias, convicções, crenças de que um certo produto, bem ou serviço é melhor do que os outros que lhe são concorrentes, que têm propriedades benéficas e que faz bem a qualquer coisa.

Este fazer bem vai desde o fazer bem ao ego, no sentido de que, nem que seja por breves momentos, se experimente a sensação de que se é melhor do que habitualmente se pensa, até a um fazer bem à saúde em geral, ou a aspectos particulares desse conceito cada vez mais extenso e também cada vez mais híbrido.

O fazer bem ao ego consome neurónios e criativos há décadas.

Vender a imagem de que se passa a ser melhor, a ter mais estatuto, a ser mais desejável, atraente, inteligente, divertido, bom partido, melhor pessoa, melhor pai, filho, empregado ou patrão porque se tem este ou aquele carro, se usa esta ou outra lixívia, se veste uma certa marca de roupa ou se toma banho com um certo formato de sabonete, desculpem, mas é uma tarefa hercúlea.

Nos últimos tempos, correspondendo ao afã da nossa busca da saúde, do bem-estar e dos recursos todos que contrariem os estilos de vida que temos o resto do tempo em que não estamos preocupados com a saúde, tem-se desenvolvido um extraordinário marketing em torno do efeito terapêutico dos alimentos. Parece que o comemos – do leite à carne, da fruta ao peixe, dos legumes às sobremesas gulosas – tem de fazer bem a qualquer coisa.

Parece que os alimentos não valem por si e se corre o risco de, ao não publicitar as vitaminas e os sais minerais que contêm; ao não aludir aos benefícios para o colesterol, para a glicemia, para a ureia, para a tensão arterial, para a osteoporose, para o cérebro, o coração, o funcionamento renal e por aí fora; num desvario de órgãos, doenças e nomes compatíveis com uma “folk medicine” crescente, as pessoas deixarem de comer o que se vende nos supermercados. De exagero em exagero e de mistura de conceitos e ideias banais com artifícios técnicos que tocam a segurança básica dos indivíduos chegar-se-á, seguramente, a uma de duas coisas: ou à descrença generalizada sobre tudo e todos, ou à saciedade consumista.

Em qualquer caso, tudo aponta para o rápido apagamento da galinha dos ovos de ouro.

Maneta Alhinho

 

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  Comentários
Nome: Victor Costa - Radio Baia Localidade: Seixal Email: www.radiobaia.pt
  Mensagem: Sempre fui adepto da sua escrita apesar de pertencer à
concorrência. Que belo texto este. Parabéns amigo. A sua vida pessoal não está fácil eu sei. Muita Coragem com todas esssas adversidades. Já
naveguei a conselho do CP Costa e adorei este site que vou recomendar.
Victor Costa. 25.10.07
   
Nome: Serginho Localidade: Lisboa Email: omitido por razões de privacidade
  Mensagem: Não vou comentar o teu texto porque ele fala por si.
Tu que és um homem agarrado à familia, acredito que este momento não te seja nada fácil de suportar. Os meus sentidos pesâmes à tua esposa e a ti. Segundo me disseram penso que as más noticias não ficam por aqui, muita coragem amigo. Sei que estás no "teu" Alentejo, como tu o denominas. Tu que já ultrapassaste tantos obstáculos continua firme como sempre para ajudares a tua esposa, tá? Um abraço do Serginho. 04.11.07
Nome: José Catalão Localidade: Lisboa
  Mensagem: Este senhor e já aqui o afirmei parte-me a cabeça toda.É
evidente que se não fosse a ajuda daminha filha eu não compreenderia este texto, porque tirei a 4.ª classe na tropa em Tavira, mas dá para perceber que lidamos com um verdadeiro homem da escrita que sabe colocar as palavras nos sitios certos. Continua a surpreender-me e continuo assim como a familia na esperança de o conhecer pessoalmente. Qualquer dia o dono do portal já não está para me aturar, mas adoro este recanto de novidades sobre o alentejo. Desculpem eum abraço para todos. José Catalão 04.11.07
   
Nome: ricardo Localidade: Barbacena
  Mensagem: Quim, antes de mais os meus sentimentos pela morte do teu sogro. Eu vi ontem o teu sofrimento e da Lídia no funeral do Bendito, homem estimado e querido por toda a Vila. Nunca assisti a um funeral com tanto povo. Ele merecia. Coragem amigo.
Quanto ao teu texto não me vou repetir no que disse nos anteriores. És um ser humano excepcional e um escritor de grande valor. Disso ninguém tem dúvidas. Apesar de não seres de Barbacena, esta terra e este povo
adoram-te e reconhece as tuas qualidades. Um abraço. Ricardo.
04.11.07
   
Nome: MMG - TVI Localidade: Lisboa Email: Privacidade
  Mensagem: Os teus textos como sempre são lindos, críticos e com uma
mensagem que os envolve carregados de emoções fortes.
Apesar de o já ter feito via email quero deixar em meu nome e da familia
televisiva os nossos pêsames pelo falecimento do teu sogro. Este mês vai
ser fulcral na tua vida e da familia, mas quero que saibas que estamos
contigo. Força companheiro. Um beijo. MMG 04.11.07
   
Nome: ricardo Localidade: Barbacena
  Mensagem: Novamente osmeus sentimentos. Não bastava a morte do Bendito agora também o da D. Angelina. Espero-te hoje em Barbacena para te dar um abraço. Puxa, duas mortes em 4 dias. Coragem Quim e Lídia. Ricardo 06.11.07
   
Nome: Manolo Localidade: Sintra
 
Mensagem: Oi companheiro, o que é que eu posso dizer nesta altura da tua vida. Força amigo e dá um beijo e os meus pêsames à Lídia. Estou na
Austrália em espectáculos e estou num cibercafé. Em relação ao teu texto, nota 20. Como sempre. Um abraço para ti, para o Alentejo e para o mundo cibernauta. Manolo. 09.11.07
   
Nome: Fernando Carreira Localidade: Serpa Email: f.carreira@sapo.pt
  Mensagem: A visão deste escritor é muito lata. Consegue ver coisas onde o nosso imaginário não deslumbra. Só por isso, considero o autor e este texto de elevado nível cultural. Continuo a dizer que o Alentejo tem
grandes carolas e o Sr. Alhinho é um dos que vai um dia deixar-nos
orgulhosos. Auguro um futuro promissor a este cronista e a este site.
Estamos todos bem, tudoben. 10.11.07
   
   
Nome: anónimo Localidade: Vila Boim
  Mensagem: E na época que se aproxima vamos ver muito consumismo. Adoro os teus trabalhos, já aqui o disse. Tenta escrever para o povo e não para intelectuais. Eu sei que é o teu género de falar e escrever, mas se utilizasses palavras menos caras terias mais leitores concerteza. Apenas um reparo, espero que não leves a mal. A minha esposa lê os teus textos e fica na mesma. Vá, um abraço. 16.11.07
   
 
 
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