Nova Democracia
05-02-2006
Paula Lebre - 17.30 H |
“Fica a lição e ficam as sementes para o futuro.”
Manuel Alegre
Nova Democracia
(A nossa verdadeira vitória)
Os portugueses estão a atravessar uma grave crise de confiança nas suas capacidades e na classe politica que os representa, tanto a nível local como a nível nacional.
Por um lado, os partidos políticos são neste momento grupos fechados de profissionais da política, de marketing e de publicidade, que trocam favores, cargos e fundos, geradores de descrédito geral e que se revezam há décadas no poder. Estes partidos políticos, outrora garantia da Liberdade, tornaram-se os principais responsáveis pelo desinteresse e alienação dos cidadãos pelas questões públicas, por serem dirigidos com despotismo corporativista que só abre portas a alguns amigos que venderam fidelidade ou a familiares.
O cinismo politico leva a práticas perversas sem consequências judiciais, que fomentam e alastram sentimentos de impotência na participação civil, mas também sentimentos de zanga, de raiva e de revolta entre os cidadãos, que consciente ou inconscientemente adoptam os mesmos comportamentos negativos das referências politicas. Espalha-se a filosofia do “ salve-se quem puder”.
Por outro lado, as instituições não funcionam de forma acessível aos cidadãos que se sentem pouco informados e pouco representados nas decisões, que afectam directamente as suas vidas. Falta uma descentralização institucional e administrativa, que permita uma difusão de poderes no território. Falta promover, valorizar e apoiar mais os cidadãos e as organizações civis. Faltam instrumentos que desenvolvem acções na afirmação do bem comum.
Por toda esta realidade, sabe-se agora que a democracia representativa já não serve a sociedade contemporânea.
Emergiu e está a ganhar cada vez mais força o conceito de uma nova democracia: A Democracia Participativa
Já não basta uma sociedade plural, com liberdade de expressão e de imprensa, onde se vota em eleições livres. Ninguém já acredita na boa vontade de ninguém. Tudo de tornou “viciado”. Até muitas organizações ou associações civis são formadas e manipuladas por órgãos de poder, servindo muitas delas para reabilitar e limpar quem já sujou a sua imagem pública.
Numa Democracia Participativa, a participação dos cidadãos é desejada, valorizada, reconhecida e incentivada. As instituições governamentais apoiam a formação de organizações de cidadania – o associativismo é uma delas. Há intercâmbio de informações, de opiniões, de objectivos, de necessidades e de planeamento estratégico. Há condições e estruturas garantes para o diálogo civil e portanto maior facilidade no conflito. Há uma garantia do direito de iniciativa dos cidadãos que ficam assim implicados nas políticas e decisões da comunidade.
A Democracia Participativa é a resposta e a resolução para a crise de confiança politica e auto-estima dos portugueses.
Uma Democracia Participativa sustentável, só é possível com cidadãos conscientes, capazes de humanizar e pôr em pratica atitudes certas para o seu futuro. Por isso, sabe-se hoje que um Desenvolvimento Sustentável só é possível com uma Democracia Participativa.
O Movimento cívico espontâneo que surgiu na candidatura de Manuel Alegre, foi o catalisador que precisávamos para dar voz à Consciência Cívica.
Em Portugal, este movimento foi a oportunidade que até agora, mais ânimo deu a esta nova consciência e que poderá tornar-se numa verdadeira escola de cidadania para quem aderir.
Abriu-se uma porta. Ficou uma ferramenta para quem tem necessidade e interesse em elevar-se como pessoa e cidadão.
Eu também já não acredito na maioria dos políticos portugueses, mas ainda acredito na política como única forma de contribuir para o bem-estar comum. È a política que conduz a nossa vida individual e comunitária. O direito à cidadania é o direito à política. É o direito a participar nas decisões.
Agora, cabe a nós, cidadãos construtores do futuro, regar esta semente de uma atitude inovadora no nosso país, com a manifestação das nossas opiniões e defesa das nossas causas. Os cidadãos já não têm de se coibir de censurar a ineficácia e os défices democráticos. Temos quem nos dê apoio, nos ajude e nos oriente.
Podem contar comigo!
Felicidades para todos.
Quem quiser unir-se a este movimento civil, pode usar este espaço. Poderá também manifestar o que entender, se entender. O contacto não será publicado.
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