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Falar de sexualidade é muito mais do que falar de relações sexuais. Sobretudo hoje, em que o sexo entra, sem pedir licença, nem respeito pelas idades, na vida de todos, como nunca aconteceu nas gerações passadas.
Por vezes as famílias são invadidas com insinuações, estímulos de tal forma explícitos que a ninguém passam despercebidos. Esta propaganda de beleza artificial com emoções fictícias, umas mais exageradas e prejudiciais do que outras, confunde os valores e os comportamentos da sociedade, principalmente dos mais vulneráveis – os jovens.
Sabemos que os jovens de hoje estão, felizmente, sexualmente mais esclarecidos do que os jovens do passado, mas o tempo de crescimento, de maturação emocional e sentimental continua o mesmo de sempre. Só que agora, sendo a sociedade mais confusa, mais complexa, mais variada e mais competitiva, tornou-se mais difícil ser jovem, porque é mais difícil fazer as escolhas e resistir a um leque de “tentações” tão acessíveis.. Pior; paga-se mais caro quando as escolhas não foram acertadas, em que a única “culpada”, se é que existe, é a natural imaturidade. Ou seja; os jovens, além de um bom apoio informativo e emocional para as suas opções, precisam de sorte nos erros que fatalmente terão de cometer durante a fase de maturação, já que as consequências de um puro azar de alguns deles, tornam-se autenticas punições perpétuas.
Neste contexto social em que vivemos; onde não há aplicação de uma Lei do Estado protectora de menores, em que os pais mais preocupados se sentem impotentes perante a banalização de sugestões eróticas e sexuais em massa, pergunto: Qual a legitimidade do Estado e moralidade da Sociedade em julgar e punir as jovens raparigas ( e só as raparigas) que ao descobrirem a sua sexualidade têm o azar de engravidar?
Com altivez, dizem alguns que o amor é fundamental para a satisfação sexual. - Em que mundo é assim? O sexo sem amor não satisfaz desejos ou até simples atracções?
Por um lado, nem todos tem a sorte de viver uma paixão correspondida. Por outro lado, a vida é como é! E nem sempre como queremos que ela seja.
Para não alongar demasiado, apenas acrescento que quem tem a sorte de desfrutar uma vida sexual apenas por amor e com amor, desfruta de maior segurança emocional, proporcionando um maior grau de entrega e portanto de satisfação. Esta sorte é preciosa porque é rara, mas não dá superioridade moral a ninguém.
Em primeiro lugar, devemos ser honestos com os nossos próprios sentimentos e com os conhecimentos que a vida prática nos vai dando. Só assim, nos enriquecemos e nos tornamos seres interiormente superiores, capazes de compreender a beleza e humanidade da vida real (nossa e dos outros), deixando para os cientistas a compreensão do milagre da gestação.
O próximo referendo, além de ser um acto de consciência individual, deverá
ser também um acto de honestidade cívica.
Paula Lebre
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