Compro o que é nosso
28-10-2006
Paula Lebre |
A fim de criar uma nova consciência cívica e novos comportamentos individuais na sociedade portuguesa, a Associação Empresarial Portuguesa lançou uma campanha de sensibilização para a importância do consumo de produtos nacionais. A mensagem, além da visão patriótica é também um incentivo à unidade. Com o pequeno esforço de cada cidadão, com o efeito “gota a gota” , é possível fazer crescer a economia, portanto fazer crescer Portugal.
Já o Movimento 560 divulgara informação sobre os produtos portugueses com o objectivo de incentivar o seu consumo com o lema de que “Portugal tem de ser forte cá dentro, para ser forte lá fora” e explicam: quando compramos produtos estrangeiros por serem mais baratos, estamos a fortalecer as economias já mais fortes, enquanto contribuímos para o crescimento das nossas importações. Ou seja, quando compramos o que vem de fora, aumentamos a nossa despesa e tiramos postos de trabalho no nosso país.
Como a Economia é um ciclo, os nossos produtores, para compensar as quebras de produção, são obrigados a subir ainda mais os preços - Até que ninguém os compra e assim as fábricas vão fechando as portas .
Com o aumento do desemprego no nosso país, todos nós; um a um, é atingido mais cedo ou mais tarde. O desemprego é um problema de todos e não dos desempregados.
Para comprar o que é nosso, é preciso ter atenção na hora da compra ao código de barras e optar pelos que começam por 560 e verificar na embalagem informação sobre o produto. Nos produtos de peso variável (preço ao quilo ou à unidade) devemos optar pelos códigos que começam por 25, 26, 27, 28 ou 29.
Para aceder a informações úteis e esclarecimentos de dúvidas sobre produtos portugueses, podemos sempre clicar em http://560.adamastor.org
Sobre este assunto, a minha consciência cívica já não me permitia consumir fora do meu país e enquanto me for possível, (não sei o que me espera amanhã!...) escolherei produtos portugueses. Ainda mais; sendo casada com um empresário elvense, essa obrigação moral duplica e nunca me permitirei gastar o meu dinheiro em Badajoz, em produtos ou serviços à venda por colegas Elvenses do meu marido, que vivem as mesmas dificuldades e dão emprego aos meus familiares, amigos e vizinhos.
As excepções a esta minha regra são muito raras e pontuais.
O meu pasmo em tudo isto não está nas compras das famílias que contam os cêntimos para conseguirem o mínimo para os seus filhos - para quem o preço é a única opção de escolha do pouco que podem consumir.
A minha principal indignação está nas opções dos serviços do Estado, o maior cliente da economia, que recorrem a produtos e serviços de empresas espanholas.
As Câmaras Municipais, por exemplo, não são exemplo para os seus munícipes, tal como alguns empresários não servem de exemplo aos seus clientes. ( E nem quero falar dos seus discursos e queixas sobre a crise económica…) – para não cansar quem lê este artigo, refiro apenas que até para os traçados das estradas municipais, vi trabalhadores de uma empresa espanhola.
Enquanto se mantém toda esta hipocrisia, o Estado apoia agora em 28% dos impostos que pagamos com tanto sacrifício e injustiça, no investimento da campanha “Compro o que é nosso” da Associação Empresarial Português. Servirá para alguma coisa?
Sem qualquer hipocrisia garanto que a Economia de Portugal pode contar com a minha gota diária e todos os empresários elvenses honestos podem contar comigo como fiel cliente. Serei Ingénua? Talvez, mas com muito orgulho!
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