“Clássica para todos”
08-11-2005
Paula Lebre - 07.45 H |
Num debate televisivo entre responsáveis políticos sobre os resultados das ultimas eleições autárquicas, argumentaram que o partido vencedor foi o que ganhou as câmaras municipais dos “distritos importantes”.
Apesar de eu ter ficado perturbada e confusa por não querer acreditar que em Portugal , sem qualquer pudor, há distritos mais importantes do que outros para os nossos políticos, consegui entrever a quais se referiam.
Não tomei conhecimento de qualquer contra-ataque. Talvez a falta de respeito pelos cidadãos eleitores seja obviamente natural e eu ainda não percebi.
Sei é que isto me irritou.
Fica aqui o meu reparo.
Vou falar de coisas mais agradáveis:
Quem me conhece, sabe da minha paixão pela musica “erudita”. Sou melómana e por isso sinto-me credenciada para avaliar o feliz acontecimento que foi o II Festival de Musica de Câmara de Elvas durante o mês da música:
A falta de programas culturais de qualidade superior em Elvas, era sentida por mim com enorme tristeza e indignação , já que sempre considerei uma cidade com potencial.
Luís Zagalo, director artístico do evento, conseguiu conciliar aquela qualidade com a acessibilidade do repertório, capaz de fidelizar o público pouco habituado a este tipo de espectáculos e de atrair quem ainda desconhece a beleza e o prazer de ouvir ao vivo o verdadeiro som dos instrumentos de orquestra e das vozes do canto lírico.
A educação musical deveria fazer parte do sistema educativo desde a infância : desenvolve a sensibilidade musical, estimula a formação global, ajuda a vencer a timidez, a agitação , a rebeldia, faz “milagres” no desenvolvimento e coordenação motora e estimula sobretudo a concentração e a memória.
Especialistas em psicologia , psiquiatria, neurologia e até em oncologia, afirmam e confirmam a utilidade do bem estar que a sonoridade da musica “clássica” harmoniosa provoca nos doentes, nos adolescentes, crianças e bebés, por intervir positivamente no comportamento e na predisposição do ser humano.
A musica “clássica” como terapia, consegue resultados surpreendentemente excelentes.
Isto prova que a Musica Erudita é realmente especial, mas que é para todos e não apenas para meia dúzia de senhores com ar alucinado , de sobretudo escuro , com cachimbo nos lábios escondidos por bigode e pêra enquanto caminham com calhamaços de folhas entaladas nos sovacos.
Os “Violininhos” demonstraram mais uma vez isto muito bem, com a apresentação do projecto “O talento educa-se”.
Parabéns Luis , pelo trabalho que apresentaste e por tudo ter corrido bem. Agradeço (do fundo do meu coração) pelo prazer que me deste ao assistir a espectáculos em Elvas com a qualidade que até agora aconteciam essencialmente em Lisboa ou no Porto. E poder partilhar este prazer com os meus filhos.
O que começa acontecer em Elvas é a melhor resposta aos nossos políticos da capital que falam na televisão , mostrando que algumas cidades e Câmaras dos distritos “menos importantes” sabem fazer o mesmo que fazem as dos “mais importantes”.
(tivéssemos nós as mesmas oportunidades).
Até para o ano!
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