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Futuro comprometido

15-10-2004 14:31
Paula Lebre

Perante um inicio de ano lectivo tão vergonhoso para os Portugueses, tão prejudicial para os nossos filhos e sobre o qual já tanto foi escrito e dito, resta apenas questionar-me sobre o que é que se pode fazer ainda para minimizar os prejuízos nas vidas escolares das crianças e jovens.

O que poderá a Escola fazer? E os Pais? E o Estado?

À Escola apenas bastará cumprir com o empenho e eficiência as suas funções desde que apetrechadas de recursos materiais e humanos. Os Pais é que poderão alterar a sua postura e comportamento no acompanhamento mais regular, directo e amistoso da vida escolar dos seus filhos sempre com todo o tempo do mundo.

As dificuldades surgem em três situações: A primeira é quando os pais querem muito acompanhar e ajudar os seus filhos mas não conseguem por limitações académicas, acabando por recorrer a ajuda externa, por vezes com muito sacrificio financeiro. A segunda situação , a mais grave, surge quando os pais não têm a consciência, ou esquecem da importância da sua preocupação, dedicação e apoio nos estudos, deixando os problemas da "escola" entregues apenas aos filhos responsabilizando exclusivamente os professores, sobretudo quando há insucesso, situação mais vulgar nestes casos. Do lado oposto há ainda a terceira situação que surge quando os pais revelam ansiedade e criam grandes expectativas no que diz respeito aos resultados escolares dos seus filhos, traçando metas irrealistas que provocam uma grande tensão ás crianças a quem o medo de falhar pode desencadear uma desmotivação às "coisas da escola".

Em todos os casos, estas crianças estão em desvantagem em relação ao que lhes é exigido, reflectindo-se negativamente no seu "bem estar" na escola.

Felizmente a democratização do ensino nas ultimas décadas abriu a Escola a todos: tanto aos bons como aos que apresentam dificuldades na aprendizagem. È o que se chama teoricamente uma Escola Inclusiva. Só que estas naturais diferenças nas capacidades de cada aluno desencadeia muitas vezes uma Exclusão porque não há instituições de fácil acesso às familias de poucos recursos financeiros que procuram ajuda para os seus filhos, tal como não há qualquer organismo que promova regularmente sessões de esclarecimento, de consulta e exposição de dúvidas dos pais e encarregados de educação.

Por tudo isto e muito mais é que não me canso de relembrar a todas as famílias que desejam o melhor para os seus filhos, que é urgente agirmos de forma a aumentar as possibilidades de todas as crianças terem iguais oportunidades numa escola diferente à dos nosso tempo.Nem pior nem melhor, mas de certeza muito mais complexa.

Apesar das dificuldades de cada familia, uma coisa é certa: quando os pais ou encarregados de educação se envolvem na vida escolar, as crianças e jovens são os primeiros e principais beneficiados. As instituições estatais em parceria com as organizações privadas ou cívicas só têm que promover estes valores proporcionando serviços de apoio à vida prática e quotidiana de todas as familias. Uma responsabilidade partilhada de toda a comunidade na educação é uma mais valia para as crianças. É o melhor e mais urgente investimento Nacional. Mas onde está o Estado? Será que a decisão sobre a compra de carros novos é mais e melhor investimento para o país?Em que escolas estão os filhos dos nossos governantes?Ainda ninguém lhes disse que o futuro está comprometido?

No meio de toda a confusão que existe no ensino e nas escolas há iniciativas beneméritas que devemos elogiar e agradecer, como por exemplo a Câmara Municipal de Odemira quando investe na formação de profissionais de educação ao aderir a um Workshop com o objectivo de divulgar estratégias de sedução infantil para a literatura. Boa sorte!

Relembro que continua o I Festival de Musica de Câmara em Elvas, sábado pelas 21:30 h no auditório do museu da Fotografia com um recital de Canções Espanholas interpretadas pela soprano Célia Sanches acompanhada ao piano por Vicente Antúnes. Encontro marcado!Muitos Parabéns aos autores do folheto do programa porque está com muito bom gosto e muito sedutor.



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