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O CAIXÃO DO PAPA

29-04-2005
Paula Lebre

Quando penso sobre tudo o que é religioso, sinto-me perdida porque as dúvidas surgem cada vez mais que me esforço para acreditar ou até para perceber o que é apresentado como indubitável. Não chego a cair no niilismo mas a verdade é que não pratico qualquer religião.

Minha espiritualidade é intima e é inefável mas confesso que descobri entre todo o emaranhado de doutrinas, que sigo a minha vida segundo a mensagem de Jesus Cristo em cujos valores me identifico e defendo, sem seguir exactamente as regras da Igreja Católica, na qual eu encontro demasiadas contradições não inocentes.

A opulência, a ostentação da Igreja, a sua hierarquia impenetrável, inflexível e implacável torna-se inclemente e muitas vezes restringe a liberdade para a felicidade plena com os seus cautérios, enquanto Cristo deu a vida em defesa do perdão, da compreensão nas diferenças entre os Homens porque os Homens são todos iguais.

Apesar de tudo, confesso que sentia carinho pelo sorriso de João Paulo II cuja profundidade do seu olhar idílico tinha o poder de me envolver.

Mas o que na verdade me comoveu, pela mensagem de simplicidade verdadeiramente suprema e ecuménico, verdadeiramente cristã, foi o Caixão do Papa.

Tal como na pratica, é nos pequenos pormenores que está a distinção de cada um. A simplicidade é o pormenor que distingue como as pessoas olham para si e para os outros.

Tive até o atrevimento de imaginar que João Paulo II me entenderia.

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Enviado porFZX(29.04.05)-Elvas: Todos nós temos contradições não inocentes !.......Como a igreja não as têm ? Claro que sim, se a mesma é feita por homens iguais a todos nós, devemos ver que a mesma comete erros como todos, pois é bastante frequente no ser humano, quanto a João Paulo II, pouco à dizer do que já foi dito, para mim impressionante a sua maneira de estar perante o mundo e os exemplos que nos deixou; vejamos então o seu pedido de desculpas pelos erros cometidos pela igreja ao longo da história, poucos homens católicos ou nenhuns tiveram a coragem de rezar junto do muro em Meca.

Espero que o novo Papa consiga fazer e trazer ao mundo um trabalho tão digno e exemplar como o do seu antecessor até hoje nunca visto, aparentemente não se consegue explicar como consegui mover tanta gente e principalmente os jovens, crentes e não crentes, inclusive a Paula Lebre que tocou-lhe também qualquer coisa deste simples e bom homem, para dizer a verdade a mim também, oxalá todos nós seguíssemos algumas das suas pegadas,em favor da paz e da sua luta constante contra as ditaduras e opressões políticas que existem no mundo....e na verdade conseguiu bastantes vitórias para um mundo melhor. Que Deus o abençoe pelo seu trabalho.

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