Dia da Mulher e do Homem
20-03-2005
11.00
Paula Lebre
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Quando ouço falar sobre as comemorações do Dia da Mulher, lembro-me imediatamente das mulheres que tiveram o azar de nascer em sociedades onde elas não são sequer respeitadas como seres humanos.
Mulheres que encarnam a vergonha do Mundo dos Homens. Mulheres sem voz sem rosto e até sem alma.
Eu vou jantar fora quando me apetece desfrutar da companhia de amigos ou amigas, vou a concertos sempre que as finanças domésticas permitem, enquanto o meu marido fica em casa a cuidar das crianças. Outras vezes sou eu quem fica em casa sem me sentir diminuída por isso.
O Dia da Mulher não é para mim!
Então os Homens?
Eles não têm problemas?
Não sofrem?
Não interpreto o Dia da Mulher para a Mulher do Mundo Ocidental.
É verdade que o passado não foi nada favorável. As nossas avós e bisavós nunca tiveram oportunidades e direito a optar pelas suas vidas individuais, familiares e sociais.
Mas hoje a vida é tão difícil ou tão fácil tanto para Homens como para Mulheres. Ambos estão sujeitos a pressões, a dificuldades, a exigências e ansiedades que a sociedade contemporânea Ocidental impõe.
Sinceramente, não consigo separar dois sexos como inimigos. Não gosto de generalizações. Os Homens são todos diferentes uns dos outros tal como não há duas mulheres iguais.
A educação e a cultura herdada é que bipolariza o mundo do ser Humano em dois sub mundos: o dos machos e o das fêmeas.
Tudo que é sub mundo é anti-social, perverso e perigoso. A principal preocupação não deveria ser a competitividade. O que é necessário defender e proteger é a complementariedade entre os dois sexos naturalmente diferentes mas humanamente iguais.
O estatuto de fada do lar não deveria ser exclusivo das mulheres. Os Homens também deveriam optar sem riscos de humilhações sociais por serem donos de casa.
A tripla função de Mulher - dona de casa - mãe não é mais prestigiante de que Homem - dono de casa – pai.
Se uma Mulher optar por ficar em casa para cuidar dos filhos, ouvimos: - “Ah! Coitada, sacrificou a sua independência, já viu? Que boa mãe!..." Se um homem o fizer: - “Ah, já viu? Não quer trabalhar, o malandro! Vive à custa da mulher! Que mau exemplo para os filhos!..”
Muitas vezes são as Mulheres que não abrem o mundo doméstico aos Homens para não perderem o seu estatuto matriarcal da família.
Foi a emancipação da Mulher que permitiu a sua participação no mundo do trabalho e na sociedade, alargando-lhe horizontes, adquirindo informação, tornando-se cidadã mais consciente e critica.
Mas esta Mulher que se diz livre, é a que se escraviza de uma imagem fisicamente perfeita com intenção de agradar ao Homem.
Por outro lado, os Homens que parecem ser neste dia os maus da fita, são os mesmos Homens que não resistem às lágrimas, por vezes fingidas de uma Mulher, que de vez em quando lhe convém fingir ser o sexo mais fraco.
A minha admiração e respeito está nas pessoas pelo que elas são. Não por serem deste ou daquele sexo.
O dia da Mulher é para mim, o dia dedicado ao levantamento de consciência pública pelos que são humilhados, a quem tiraram o direito de ser feliz, seja Homem ou Mulher.
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