III Festival de Música de Câmara em Elvas -

Em jeito de retrospectiva…

 

16.11.2006
Luís Zagalo

Como é do conhecimento geral, terminou no passado sábado, dia 28, a terceira edição do Festival de Música de Câmara em Elvas, iniciativa que decorreu durante o mês de Outubro, no auditório do museu da fotografia.

Aqui chegados, chega também a hora de fazer um balanço.

Penso que a primeira edição do festival resultou, inevitavelmente, de uma convulsão de experiências que pela primeira vez abriram as portas de um mundo novo. Todavia, a continuidade desta iniciativa trouxe uma segunda edição que consolidou e reafirmou o êxito da primeira. E acredito que esta terceira se inscreve num outro domínio, o da tradição. Parece-me indiscutível que Elvas adere com entusiasmo a este evento, basta constatarmos que noite após noite, concerto após concerto, o auditório do museu da fotografia continua a encher, não obstante todas as vicissitudes que com este poderiam colidir, como sejam o tempo nada convidativo, os mais importantes desafios de futebol, ou a sobreposição de outras actividades de prestígio. E esta realidade, como compreenderão, é algo que me deixa muito, mas muito feliz. E tudo, porque são as pessoas, e sempre as pessoas, que determinam o sucesso de todo e qualquer evento; a entidade promotora, a organização, a equipa de colaboradores, os apoios diversos poderiam dar o seu melhor em prol de uma determinada iniciativa, que isso serviria de muito pouco, se o público não quisesse partilhar, neste caso concreto, a música que passeia pelos corredores da imortalidade.

Este ano três concertos marcaram a programação do festival, o “Concerto de homenagem a Lopes-Graça, Mozart e Schumann”, protagonizado pelo Maestro Victorino D’Almeida, pela pianista austríaca Ingeborg Baldaszti e pelo Coral Lisboa Cantat; a “Viagem ao Mundo dos Sonhos” foi tornada real através da actuação do Coro Infantil d’Os Loureiros e do Quarteto Sem Fronteiras e o recital de canto e piano “As águias voam legatto”, recriado por António Laginha, Helena Rodrigues e Manuela Moniz.

Julgo que cada um destes concertos teve o seu espaço próprio, sendo difícil compará-los. No entanto não posso deixar de referir que me orgulho de termos tido em Elvas Ingeborg, uma das mais geniais pianista do mundo; o Maestro Victorino D’Almeida, cuja presença, tal como a realização do festival, também já vai sendo, felizmente, tradição; a Profª. Drª. Helena Rodrigues, quanto a mim a maior referência que temos no nosso país ao nível da Pedagogia Musical, que muito tem contribuído para que se ensine mais e melhor música em Portugal. Por último, confesso que, num plano pessoal, me deu um gozo especial tornar a “viagem ao mundo dos sonhos” uma realidade. Foi uma das melhores experiências musicais que tive o privilégio de viver e tal só aconteceu graças ao imenso talento do meu irmão, Pedro Zagalo, do Miguel Monteiro, do Lorenzo Lumeras e da contagiante ternura do Coro Infantil d’Os Loureiros.

Por tudo isto, expresso a minha mais sincera gratidão à Câmara Municipal, pelo crescente interesse que tem manifestado em torno da arte e pela aposta cultural que tem vindo a desenvolver, cabendo aqui uma justa palavra de reconhecimento ao Sr. Presidente, representante máximo da nossa autarquia. Agradeço também a toda uma equipa com a qual tenho tido o prazer de trabalhar desde que esta aventura começou, a Senhora Vereadora da Cultura, Drª. Vitória Branco, à Drª. Lídia Moura, designer do festival, ao Sr. Luís António Alvarez, técnico e afinador do piano, ao Sr. Paulo Valadas, técnico de som e luzes, aos amigos Gonçalo Vilhena e Luís Trindade, bem como às entidades que têm apoiado e colaborado com o Festival, designadamente o GADICE, a APPACDM – Elvas e a Academia de Música de Elvas.

Não posso deixar de exprimir, também, o meu agradecimento junto dos meios de comunicação, em particular do jornal “Linhas de Elvas”, Rádio Elvas, Rádio Renascença e Portal Tudoben, pelo destaque que nas últimas semanas deram a esta iniciativa.

Por último agradeço à Profª. Drª. Maria José Brito e a todas as participantes no ateliê de artes plásticas promovido pelo GADICE, o empenho e o carinho com que elaboraram a magnífica exposição associada ao festival. O tema outonal, que coligiu toda a concepção gráfica desta edição, foi enriquecido por esta noção mais abrangente e envolvente de arte.

Ao terminar este balanço, agradeço especialmente a todas as pessoas que se deslocaram, uma vez mais, concerto após concerto, ao auditório do museu da fotografia para que juntos pudéssemos partilhar tantos momentos inesquecíveis. Parafraseando Gabriel Fauré: “a música existe para nos elevar, tanto quanto seja possível, acima da existência quotidiana”. Não sei se é esta a razão que conduz todos quantos se deslocam a este fabuloso espaço, no entanto, registo com apreço o facto de tanta gente continuar a querer que o nosso festival seja um sucesso.

A todos, o meu sentido obrigado!

Luís Zagalo

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  Comentários
  Nome: PAULA LEBRE Localidade: ELVAS
 

Mensagem:
Compreendo todos estes agradecimentos, mas na verdade, eu e todos os elvenses é que devemos  reconhecimento a Luis Zagalo.
Desde que cheguei a Elvas, em 1989, nada de marcante aconteceu nos hábitos culturais da sociedade elvense (com excepção para o Festival Internacional de Folclore - que por acaso merecia algumas intervenções e alterações na sua produção). Não gosto muito de participar em circulos de elogios que mais parecem "prendas de Natal" (inúteis , ocas e efémeras), mas não consigo deixar de dar a conhecer a minha grande admiração pelo trabalho de Luis Zagalo ,  como director de uma academia finalmente em franco crescimento, e como director artistico do Festival de Música de Câmara de Elvas. Não sou  nenhuma musicóloga,  mas por ser uma efusiva
ouvinte e melómana desde criança, já me considero conhecedora bastante para apreciar a qualidade dos trabalhos, das obras e das interpretações.
Tendo em conta, todas as limitações geográficas, culturais, tradicionais, burocráticas, logisticas e financeiras,  reconheço o mérito   da planificação ,  da organização e da promoção destes Festivais , erradamente considerados elitistas.
A música é das  mais democráticas expressões  artísticas. Não é preciso saber  ler música para a compreender e sobretudo para a sentir.
Os elvenses não são privilegiados em ofertas culturais de qualidade , mas podem ter a certeza de que estes Festivais já me proporcionaram momentos inesquecíveis de raras emoções com a minha família . Tudo isto sem pagamento de entradas, enquanto que noutro lugar   teria de engendrar
alguma estratégia financeira.
Além do mais,  num país em que uma licenciatura é uma égide para a incompetência e ignorância, vão aparecendo jovens que não obstante o seu valor intelectual, valem ainda mais pelo seu valor humano e empenho em darem o melhor deles próprios.
Tenho muito orgulho por conhecer Luis Zagalo. Que nunca deixe de ser o Luis que trouxe a música de alguns , para todos os elvenses.
Estou-lhe muito agradecida, como cidadã. Estou-lhe muito agradecida , como mãe .

Muito, muito obrigada
Paula Lebre

  Comentários
  Nome: Elda Ferreira Localidade: Espinho Email: ferreira.elda@gmail.com
  Mensagem: Só tive a oportunidade de assistir ao último dia deste III
Festival de Música de Câmara.
E devo dizer que proporcionar momentos assim... é raro. por isso foi com
enorme prazer que vi passar por Elvas um concerto intenso e profundo.
Em que a mestria do piano quebrava o silêncio... e o canto despertava
emoções.
Parabéns pela iniciativa.
Acreditar e presenciar que ainda é concedido espaço à arte é um alento.
Obrigada.

Elda Ferreira RRElvas
   

 

 
 
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