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| III Festival de Música de Câmara em Elvas -
Em jeito de retrospectiva… |
Como é do conhecimento geral, terminou no passado sábado, dia 28, a terceira edição do Festival de Música de Câmara em Elvas, iniciativa que decorreu durante o mês de Outubro, no auditório do museu da fotografia.
Aqui chegados, chega também a hora de fazer um balanço.
Penso que a primeira edição do festival resultou, inevitavelmente, de uma convulsão de experiências que pela primeira vez abriram as portas de um mundo novo. Todavia, a continuidade desta iniciativa trouxe uma segunda edição que consolidou e reafirmou o êxito da primeira. E acredito que esta terceira se inscreve num outro domínio, o da tradição. Parece-me indiscutível que Elvas adere com entusiasmo a este evento, basta constatarmos que noite após noite, concerto após concerto, o auditório do museu da fotografia continua a encher, não obstante todas as vicissitudes que com este poderiam colidir, como sejam o tempo nada convidativo, os mais importantes desafios de futebol, ou a sobreposição de outras actividades de prestígio. E esta realidade, como compreenderão, é algo que me deixa muito, mas muito feliz. E tudo, porque são as pessoas, e sempre as pessoas, que determinam o sucesso de todo e qualquer evento; a entidade promotora, a organização, a equipa de colaboradores, os apoios diversos poderiam dar o seu melhor em prol de uma determinada iniciativa, que isso serviria de muito pouco, se o público não quisesse partilhar, neste caso concreto, a música que passeia pelos corredores da imortalidade.
Este ano três concertos marcaram a programação do festival, o “Concerto de homenagem a Lopes-Graça, Mozart e Schumann”, protagonizado pelo Maestro Victorino D’Almeida, pela pianista austríaca Ingeborg Baldaszti e pelo Coral Lisboa Cantat; a “Viagem ao Mundo dos Sonhos” foi tornada real através da actuação do Coro Infantil d’Os Loureiros e do Quarteto Sem Fronteiras e o recital de canto e piano “As águias voam legatto”, recriado por António Laginha, Helena Rodrigues e Manuela Moniz.
Julgo que cada um destes concertos teve o seu espaço próprio, sendo difícil compará-los. No entanto não posso deixar de referir que me orgulho de termos tido em Elvas Ingeborg, uma das mais geniais pianista do mundo; o Maestro Victorino D’Almeida, cuja presença, tal como a realização do festival, também já vai sendo, felizmente, tradição; a Profª. Drª. Helena Rodrigues, quanto a mim a maior referência que temos no nosso país ao nível da Pedagogia Musical, que muito tem contribuído para que se ensine mais e melhor música em Portugal. Por último, confesso que, num plano pessoal, me deu um gozo especial tornar a “viagem ao mundo dos sonhos” uma realidade. Foi uma das melhores experiências musicais que tive o privilégio de viver e tal só aconteceu graças ao imenso talento do meu irmão, Pedro Zagalo, do Miguel Monteiro, do Lorenzo Lumeras e da contagiante ternura do Coro Infantil d’Os Loureiros.
Por tudo isto, expresso a minha mais sincera gratidão à Câmara Municipal, pelo crescente interesse que tem manifestado em torno da arte e pela aposta cultural que tem vindo a desenvolver, cabendo aqui uma justa palavra de reconhecimento ao Sr. Presidente, representante máximo da nossa autarquia. Agradeço também a toda uma equipa com a qual tenho tido o prazer de trabalhar desde que esta aventura começou, a Senhora Vereadora da Cultura, Drª. Vitória Branco, à Drª. Lídia Moura, designer do festival, ao Sr. Luís António Alvarez, técnico e afinador do piano, ao Sr. Paulo Valadas, técnico de som e luzes, aos amigos Gonçalo Vilhena e Luís Trindade, bem como às entidades que têm apoiado e colaborado com o Festival, designadamente o GADICE, a APPACDM – Elvas e a Academia de Música de Elvas.
Não posso deixar de exprimir, também, o meu agradecimento junto dos meios de comunicação, em particular do jornal “Linhas de Elvas”, Rádio Elvas, Rádio Renascença e Portal Tudoben, pelo destaque que nas últimas semanas deram a esta iniciativa.
Por último agradeço à Profª. Drª. Maria José Brito e a todas as participantes no ateliê de artes plásticas promovido pelo GADICE, o empenho e o carinho com que elaboraram a magnífica exposição associada ao festival. O tema outonal, que coligiu toda a concepção gráfica desta edição, foi enriquecido por esta noção mais abrangente e envolvente de arte.
Ao terminar este balanço, agradeço especialmente a todas as pessoas que se deslocaram, uma vez mais, concerto após concerto, ao auditório do museu da fotografia para que juntos pudéssemos partilhar tantos momentos inesquecíveis. Parafraseando Gabriel Fauré: “a música existe para nos elevar, tanto quanto seja possível, acima da existência quotidiana”. Não sei se é esta a razão que conduz todos quantos se deslocam a este fabuloso espaço, no entanto, registo com apreço o facto de tanta gente continuar a querer que o nosso festival seja um sucesso.
A todos, o meu sentido obrigado!
Luís Zagalo
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