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A Sé Catedral começou a ser
construída em 1556 por iniciativa do primeiro bispo
da diocese, o espanhol D. Julião De Alva, capelão
da Rainha D. Catarina, no local onde existia a Igreja
de Santa Maria do Castelo. Sofreu alterações
profundas sobretudo exteriores, entre 1737 e 1798.
Verdadeiro "ex-libris" da cidade, é composta
por 3 naves, sendo a do meio guarnecida por um guarda
vento, esta tem doze capelas sendo 4 de frente e 4 de
cada lado.
No seu interior é digno de nota os retábulos
(séc. XVI e XVII), que constituem o maior conjunto
de pinturas maneiristas do país, os paramentos
ingleses do século XVI, conservados no Paço
Episcopal, bem como outras peças do tesouro. Foi
classificada Monumento Nacional, através do decreto-lei
de 16 de Junho de 1910. |
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A
cidade de Beja apresenta uma longa história que
se alicerça em torno do actual castelo. A Pax Julia
romana estruturou-se a partir de uma pequena elevação
onde se pensa ter existido um oppidum. Esta primitiva
muralha é ainda bastante desconhecida, devendo
ter planta quase circular, nas palavras de André
de Resende, mas cuja real dimensão e tipologia
ainda não está definida.
As informações que depois nos chegaram relativas
à Alta Idade Média revelam-se ainda menos
esclarecedoras. No século V, a disputa aberta entre
Visigodos e Suevos chegou às portas de Beja. Durante
o período islâmico, as múltiplas rebeliões
internas que eclodiram na cidade fizeram com que as tropas
fiéis ao Emirato e ao Califado atacassem as suas
muralhas, acções que ditaram mesmo o início
do declínio de Beja no contexto regional do Sudoeste
peninsular. E mesmo em 1162, Fernão Gonçalves
e alguns cavaleiros de Santarém apoderaram-se da
região durante escassos anos. Neste panorama, é
certo que a primitiva cerca romana foi parcialmente destruída
e refeita mais que uma vez, mas a rigorosa análise
do existente e do arqueológico não está
ainda efectuada.Indicações
mais concretas sobre o castelo de Beja datam já
do período português, mais concretamente
do reinado de D. Afonso III
a quem se deve a reconstrução do castelo
e respectiva actualização arquitectónica
com vista |
às novas exigências de guerra. As obras,
contudo, haveriam de se prolongar pelo reinado de D. Dinis
e ainda em 1372 D. Fernando ordenava ao mestre da Ordem
de Santiago que procedesse a obras na fortaleza.
A localização estratégica da cidade
na vasta planície do Baixo Alentejo demonstrou
a importância do castelo de Beja ao longo dos séculos,
sendo mesmo restaurado na segunda metade do século
XVI, quando a sua tipologia medieval se mostrava já
obsoleta perante as exigências pirobalísticas
do momento. Em total decadência no século
XIX, altura em que passou a servir de prisão militar,
o castelo foi integralmente restaurado pela DGEMN nos
meados do século XX, desafogando-se então
as suas muralhas de construções então
adossadas e beneficiando-se extraordinariamente a sua
torre de menagem.
De planta pentagonal, o castelo afonsino-dionisino compunha-se
de duas portas fundamentais, abertas a nascente e a poente
da alcáçova e seis torres defensivas, uma
das quais a de menagem. Bastante mais complexa era a cintura
de muralhas que delimitava o núcleo urbano, uma
cerca que integrava mais de quarenta torres e quatro portas
principais (portas de Évora, de Mértola,
de Avis e de Aljustrel) a que se acrescentaram mais três
com o correr dos séculos (portas de Moura, de São
Sisenando e da Corredoura). Crê-se que esta cintura
de muralhas implantou-se sobre as antigas estruturas defensivas
romanas (ESPANCA, 1993), mas também aqui não
possuímos conclusões inteiramente seguras.
Actualmente, a imagem mais importante deste castelo é
a sua imponente torre de menagem, estrutura quadrangular
bastante robusta edificada no reinado de D. Dinis (de
finais deste reinado segundo Mário BARROCA, 2002,
p.84), de que terá mesmo existido uma lápide
a indicá-lo. Com algumas obras nos séculos
XIV e XV, esta torre organiza-se a três registos,
sendo o último rodeado por ampla varanda assente
em matacães, uma tipologia que encontramos poucos
anos antes na igualmente majestosa torre de menagem do
castelo de Estremoz. |
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